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O Diário de Antônio Maria, Joaquim Ferreira dos Santos (org.)
Record (www.record.com.br), 112 págs., R$ 20
Lá vem o monstro do Cadillac, noite adentro por uma Copacabana pré-loiraça belzebu. São arrobas e mais arrobas de lirismo ao volante. Um carente profissional, suado ? tinha horror a isso ?, pernambucano agoniado com o calor senegalês do Rio. Um mar de histórias na noite carioca, um caboclo feio e gordo capaz de botar aos seus pés até as mais metidas sereias da Odisséia. Quem nos lembra é o bamba Joaquim, escriba de mancheia, autor de Antônio Maria (Relume Dumará), que organizou uma penca de crônicas inéditas do homem, Benditas Sejam as Moças, e este Diário. Antônio Maria era o cão chupando manga, o tampa de Crush, como dizem os mais antigos. E cantarolava ?ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire?. Cronista, narrador esportivo, dotô em rádio, habitante do Sacha?s ? ninho da boemia carioca de então. Pobres moços que acham que qualquer farrinha é uma aventura… conheçam o verdadeiro homem-pé-na-jaca! Entrem, afastem a máquina de escrever do banco de trás do Cadillac, como recomenda Joaquim, que a noite só começou.
Xico Sá, jornalista e editor de O Carapuceiro (www.carapuceiro.com.br)
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