Anticlímax
C. J. Hobgood foi campeão mundial do circuito mais sem graça dos últimos anos. Chegou ao topo do ranking sem vencer uma única etapa
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
A declaração do melhor brasileiro no circuito mundial de surfe deste ano, Peterson Rosa, sétimo colocado, diz muito do que foi o Tour: ‘Vendo o C. J. chegando lá, eu sei que posso conseguir isso também’.
Na verdade ficou a sensação de que qualquer um dos 46 surfistas poderia ter chegado lá. Depois que Mark Occhilupo e Sunny Garcia, eternos candidatos ao título, conquistaram o WCT nos últimos anos, ficou um vazio. Nenhum sério destaque, quanto mais um favorito.
O norte-americano C. J. Hobgood, 22, foi campeão mundial do circuito mais sem graça dos últimos anos. Chegou ao topo do ranking sem vencer uma única etapa, fato que só havia ocorrido na edição inaugural do mundial, em 1976, com Peter Townend, e com um desempenho decepcionante na etapa decisiva encerrada em Sunset, Havaí, na última sexta-feira.
Apesar do anticlímax promovido com a redução de provas – estavam previstas 10 etapas, apenas oito foram confirmadas e, devido aos atentados, apenas cinco realizadas -, a cena de Sunset Beach estava perfeita para uma decisão, na qual nove atletas tinham chances de se tornar campeão do mundo.
Direitas perfeitas com até 10 pés rolavam tubulares sobre a bancada de coral, que parecia mais rasa e ameaçadora pela transparência da água. Sol, vento terral, público na praia, condições ideais, mas C. J. e outros seis pretendentes não foram além da segunda fase. A maioria dos candidatos ao título amargou um lamentável 17º lugar. Dois, Jake Paterson e Daniel Wills, mantinham as chances vivas, precisavam vencer, mas não passaram da bateria seguinte. Hobgood, em sua terceira temporada, se tornou o 14º campeão mundial de surfe profissional.
Vencedor da triagem que classificou três atletas, o havaiano Myles Padaca, 30, surfando muito à vontade em casa, foi imbatível. Na final derrotou Michael Lowe e ficou com os US$ 30 mil para o vencedor do Rip Curl Cup. Peterson, em terceiro, e Renan Rocha, em quinto, foram os brasileiros mais bem classificados.
Os resultados não foram os melhores para os brasileiros. Joca Jr. e Armando Daltro perderam as vagas na primeira divisão. Victor Ribas recuperou, deixando um saldo de 10 brasileiros na elite mundial em 2002, uma vaga a menos que este ano. Mas quem mais sofreu com as combinações de resultado foi Danilo Costa, que mais uma vez chegou muito próximo – é o primeiro ‘alternate’ em 2002 -, mas, pelos critérios definidos pela ASP que optou por classificar mais dois atletas do WCT devido ao reduzido número de provas, acabou ficando de fora.
Os americanos ficaram com o título, mas viram dois de seus maiores ídolos, Rob Machado e Shane Deschen, caírem e um aumento significativo do número de australianos no Tour. Por outro lado, os Estados Unidos terão o reforço do hexacampeão mundial, Kelly Slater, que volta como convidado.
O circuito em 2002 promete de 10 a 12 etapas, recorde de premiação, e as mudanças programadas, com razão, foram revistas, sinal de que a ASP percebeu que o circuito deste ano foi decepcionante. E como se não bastasse, no cenário do surfe competitivo, hoje, o surfe de ondas grandes é que está atraindo todas as atenções.
NOTAS
ESPERA
Começou no sábado e vai até fim de março o período de espera do Maverick´s Men Who Ride Mountains, com quatro surfistas brasileiros na lista de convidados. E na próxima quinta termina o prazo do Pipe Masters, este ano evento especial da ASP, com Renan Rocha como único representante brasileiro.
ESCALADA
Editada por Eliseu Frechou e Filippo Croso, a revista HeadWall será lançada segunda-feira em São Paulo e vai para as bancas em janeiro.
KITEBOARD
O francês Julien Sudrat venceu a etapa decisiva do mundial no Rio de Janeiro e conquistou o título do circuito. Maurício Abreu (16º) foi o melhor brasileiro.
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