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Amar, verbo (in)transitivo

Uma reflexão sobre dor, sentimento e solidão

em 22 de maio de 2006

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Houve tempo em que acreditei que vivíamos apenas três fases: amar, chorar um amor perdido e procurar um novo. Depois percebi que tal pensamento provinha de minha carência emocional dada a minha condição social (estava preso).

Hoje sei que é muito importante ficar só. Procurar um novo amor não é garantia de encontrá-lo. Até muito pelo contrário. Há algo misterioso e complexo nessa coisa de atração e relação. Às vezes escuto amigos que acreditam em astrologia. Eles falam em convergência de astros, signos, ascendentes, descendentes… Será?

Na maioria das vezes, as coisas acontecem para além de nossos esforços. Assim, inesperada e repentinamente. Para ser mais sincero ainda, e aprofundar a questão, ando questionando isso de amor. Que sentimento estranho! É tão íntimo, e tão ansiosamente desejado… Por que amamos alguns e não outros? Afinidades, admiração, respeito? Imagino esse desespero imenso de não querer estar só jamais. Será que amamos de verdade? E o que é amar de verdade?

Sei, por experiência própria, que muitas vezes a necessidade de amar e ser amado ilude. Faz-nos crer que estamos realmente amando. Com o tempo, descobre-se o engano. Talvez seja um pouco tarde… Mas sempre é possível recomeçar. Aliás, maravilha saber que podemos ser derrubados mil vezes, porque temos condições de nos levantar mil e uma.

Vivemos um permanente e doloroso sentimento de incompletude e desamparo. A solidão nos apavora. Não buscamos superar ou compreender esse fenômeno psíquico. Questiono se esse é apenas um medo irracional a ser combatido ou se a solidão é realmente perigosa.
Nossos sensores interiores nos alertam. Únicos, embora nos sentindo fração, ansiamos desesperadamente nos fundir, integrar aos outros. Unidos, como que diluídos nos outros, de repente nos sentimos sufocar. Carecemos de espaço para nós mesmos. No fundo, necessitamos de nossa individualidade.

Meu ângulo de visão talvez seja torto, mas meu modo de encarar esse fato é verdadeiro. Estou de dentes cravados na carne da vida e nos ossos das dificuldades existenciais, tentando me escolher. Há uma totalidade de manifestações em cada vida em particular, embora tudo seja também um conjunto de relações.

Busco aquele que vive separado de mim e tudo isso não é um tumulto provisório de minha mente, muito menos uma ilusão. Sei que preciso encarar minha individualidade e resolver minha solidão – essa vontade obcecada de amar e ser amado.

Recuo e aproximação. Seria possível o equilíbrio? Acredito que não. Pelo menos para mim. E você?

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