Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Tenho a felicidade de ser aluno da GV, uma das escolas de administração mais admiradas e odiadas do Brasil. Quem conhece as Economíadas, olimpíadas entre as faculdades de administração e economia, conhece o grito de guerra das torcidas: ?Só para não esquecer, F..da-se a GV?.
Sou um aluno problema: não quero fazer administração, detesto finanças, aproveito minha cota de 25% de falta até a última gota e guardo um rancor muito grande de muitos professores. Ainda sim tenho orgulho.
Orgulho porque não sou petista, mas acho muito legal ter o Eduardo Suplicy como professor, no mesmo departamento que Gesner de Oliveira, o cordenador econômico do programa de governo de José Serra, que dá aulas do lado do Marcos Cintra, que pertence ao PFL, partido que não voto nem amarrado.
Acho o máximo uma faculdade que não mama nas tetas do Estado para dar aula de graça a quem pode pagar, num país em que falta recurso para políticas sociais mínimas. Melhor ainda são os ex-alunos: que se organizam junto com empresas para financiar o curso para quem não tem dinheiro. Basta ter disposição de estudar. Recurso a GV garante.
Confesso que detesto alguns funcionários de lá. Principalmente uma ou outra da secretaria, que me tratam com descaso e arrogância. Mas acho o máximo que essa funcionária vote e decida o futuro da fundação, ao lado de alunos e professores.
Nesses últimos dias, a internet foi invadida com fotos clandestinas de pessoas transando num quartinho na festa do diretório acadêmico da GV. Depois foi a vez da Rede TV!, TV Mulher, Último Segundo, IstoÉ e Época repercutirem o assunto.
Muitos repassaram as fotos para toda a sua lista de e-mails, numa tentativa pífia de manchar o nome de uma instituição que presta enormes serviços ao Brasil. Outros, como uns ex-alunos, repassaram o e-mail admirando os ?comedores? do quartinho.
No dia-a-dia da faculdade, é visível a revolta de todos com o ocorrido. Todos se sentem envergonhados. Até os integrantes do diretório acadêmico. E acredito que a maioria deles não teve nada a ver com o assunto. Durante o colegial, eu fui do grêmio da minha escola, organizei festas e sei que a maioria das decisões fica restrita a um pequeno grupo, portanto nem todos são culpados.
Mesmo assim, todos estão pagando o pato pelo erro grosseiro de alguns. É assim que se sentem alunos, funcionários e professores da GV hoje: envergonhados pela canalhice de alguns. Mas eu enxergo algo de positivo nisso tudo.
Alunos da GV transam sim, assim como seus amigos. Qual é o mistério? Alguns alunos da GV cometeram sim uma covardia e publicaram aquilo. Mas isso é fruto de um ambiente democrático. A indignação de todos os membros da GV é algo melhor ainda. Por isso, não tenho vergonha, tenho orgulho. Porque o que importa não é o aluno da GV transando numa festa ou o seu amigo. O que importa é o que ele pensa e é.
E força àqueles que estão nas fotos.
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