Por Redação
em 21 de setembro de 2005
‘Wow’, como nas cenas de quebra-quebra dos filmes do Batman, ficou estampado no telão após a aterrissagem malsucedida da chinesa Nanan Xu, no salto que abriu a final feminina de aéreos nos Jogos de Inverno. ‘Goshh’, uma mistura de God (Deus) com shh (se deu mal), também foi bastante ouvida entre as cerca de 30 mil pessoas que ocuparam a arena de Deer Valley, apesar de nenhuma norte-americana estar na disputa.
O aéreo é a modalidade do esqui estilo livre na qual o atleta realiza as populares piruetas. Hoje, até três mortais e dois parafusos combinados são possíveis. Alguns entortam os esquis, o corpo atravessa, um dos pés toca a neve antes, outros chegam perto da perfeição. Então, outro salto mais complexo será o objetivo.
Com o tilintar dos sinos, o público estimulava os competidores. Logo após os saltos todos se voltavam para o monitor para rever a manobra de vários ângulos, as estatísticas e as classificações.
‘Air’, ‘noise’, ‘goshh’ foram palavras recorrentes, mas a que mais marcou foi ‘sweet’, grafada após a reação da australiana Alisa Camplin, ao assumir a liderança, enquanto acompanhava os saltos restantes que poderiam lhe frustrar o sonho do ouro. ‘Doce’ realmente combinava com as imagens reproduzidas.
Entre as doze finalistas, a bela australiana era das menos cotadas. Nunca havia vencido uma prova de expressão internacional, mas se superou e conquistou a segunda medalha de ouro para a Austrália, o melhor resultado do país na história dos Jogos. A primeira, conquistada por Steven Bradbury nos 1.000 metros da patinação de velocidade, também surpreendeu. Ele era o último colocado entre os finalistas da prova quando, num efeito dominó-boliche, os três à sua frente, na última curva, caíram deixando a pista livre para o seu triunfo.
Histórias desse tipo acabam parecendo mais comuns do que de fato são. Acabam ganhando destaque, mas, num universo de 234 medalhas distribuídas, se contam nos dedos essas surpresas.A do snowboarder norte-americano Chris Klug, 32, é outra delas. Há 19 meses ele achava que ia morrer. Portador de uma rara doença no fígado, teve o órgão transplantado como último recurso. Mais vivo do que nunca ele foi bronze no downhill paralelo.
E a história da grande estrela dos Jogos, a croata Janica Kostelic, 20, se não é surpreendente, uma vez que ela estava entre as favoritas, é emocionante. Crescida durante a guerra que desintegrou a Iugoslávia e criou a Croácia, passou fome, dormiu dentro de carro no rigoroso inverno e foi submetida a três cirurgias no joelho. Seu esforço valeu a pena: Janica conquistou quatro medalhas, três de ouro e uma de prata e bateu recordes de esqui alpino.
Tive a oportunidade de acompanhar algumas provas em Park City, a cidade que sediou o maior número de modalidades dos Jogos. Com seis mil moradores, a ex-cidade mineira absorveu dezenas de milhares de novos habitantes durante as últimas semanas. Uma muvuca organizada na qual, com envolvimento da comunidade local, tudo funcionou bem. Melhor que o prazer de acompanhar uma olimpíada, foi fazê-lo podendo desfrutar das excelentes pistas de Park City e Canyons, que apesar do vertiginoso crescimento da população seguiram tranquilas como de costume.
Outras olímpicas
Toda a mídia americana, do ‘Washington Post’ ao site oficial de Salt Lake-2002, aponta os EUA em segundo no ranking dos Jogos de Inverno, apesar de a Noruega ter 11 medalhas de ouro, uma a mais do que o país-sede. O critério que adotaram em benefício próprio foi o do total de medalhas. Outra incoerência, essa do COI, estimulada pelos esquiadores, é o snowboard só contar com duas modalidades olímpicas, o downhill paralelo e o half-pipe. Espera-se que, em Torino-2006, o esporte esteja devidamente representado, com provas como big air e boarder cross. Ou será que o curling, aquele tipo de bocha no gelo, é mais apropriado para os Jogos?
Nike board
Com três anos de mercado, a Hurley, marca do surfe e skate, foi uma das que mais evoluíram no segmento, faturando em 2001 US$ 70 milhões. A Nike, há anos tentando sem sucesso participar do ambiente das pranchas, acaba de adquiri-la por valor não revelado.
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