ACABOU A GUERRA FRIA?
Grupo de comunicação que publica a Surfing incorpora a Surfer. Nenhuma surpresa, mas alguma decepção
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
A notícia chegou por aqui distorcida: ‘A Surfing comprou a Surfer‘, resumindo a história. Considerando que vivemos a era da globalização, das megafusões, nenhuma surpresa, mas, sem dúvida, alguma decepção.
Em se tratando das duas maiores revistas do esporte no mundo, a fusão compromete a competição entre elas e, em última análise, a qualidade dos títulos. Durante 37 anos, a idade da Surfing – a Surfer foi lançada dois ou três anos antes -, elas travaram uma verdadeira guerra fria.
Em comum elas têm a disputa pelos furos jornalísticos, a busca pelos melhores e inovadores ângulos das imagens, a aposta nesse ou naquele surfista como destaque, além, é claro, dos leitores e anunciantes. Numa análise particular, têm também a mesma discriminação ao surfe brasileiro.
Já no posicionamento para o mercado, essas revistas têm estratégias distintas. A Surfing se volta para um público mais jovem, de surfe da alta performance, com uma linguagem mais ‘hardcore’, enquanto a Surfer é vista como a bíblia do esporte, com uma visão mais ampla e conceitual, ‘soul surfer’.
Quando soube da notícia, divulgada no dia da Independência dos EUA, 4 de Julho, logo pensei no prejuízo de conteúdo que poderia causar. Revistas de surfe, mesmo para muitos iniciados no esporte, geralmente são vistas como ‘tudo igual’. Pergunte a um leitor dessa categoria de títulos que matéria ele destacaria entre as recentes edições lidas, e provavelmente ele terá dificuldade em lembrar de uma, qualquer que seja.
Mas a história da aquisição é um pouco diferente. Na verdade a Primedia, um dos maiores grupos de comunicação norte-americanos, que já tinha a Surfing entre seus produtos e comprou a Surfer (num pacote que envolve vários outros títulos). Passa a controlar algo em torno de 400 mil exemplares de circulação só com os dois títulos, mas garante que a independência é total e será mantida.
O que pouca gente sabe é que no primeiro escalão da Surfing está um brasileiro. Há dois anos o gaúcho Vince Medeiros, 25, ocupa o cargo de editor associado. Nascido em Porto Alegre, aos dois anos foi morar na Austrália, voltou ao Brasil com 10, começou a surfar em Santa Catarina, ficou por aqui até iniciar o curso de jornalismo na PUC, curso que concluiu na University of Oregon, EUA. Seu primeiro emprego na área foi na Orange County Register, concorrente do L.A. Times, onde cobriu beisebol, futebol americano, entre outros esportes. Com a explosão das empresas pontocom, muita gente saiu da mídia impressa, e aí pintou a vaga na revista.
Emprego dos sonhos? Ele não vai tão longe na avaliação, mas parece estar bem feliz contribuindo para determinar os rumos da revista e escrevendo boa parte dos artigos. Recentemente foi responsável pela publicação de um perfil do catarinense Teco Padaratz, que teve boa repercussão, e esteve no Brasil cobrindo o WCT no Rio. Vince garante que se houve restrição aos brasileiros na revista no passado, já não existe mais, e acrescenta: ‘o fator econômico pode ter contribuído para limitar e agora para abrir’. É a verdade, e o fato de estar lá, mais uma evidência.
NOTAS
ZEBRAS NA ÁFRICA
Na quarta etapa do WCT, em Jeffrey’s Bay, apenas três dos 16 melhores do ranking foram além da terceira fase. Entre os brasileiros, só Peterson Rosa e Neco Padaratz – ambos 17º colocados – não ficaram na última posição. Jake Paterson, que ocupava a 33ª colocação, venceu a etapa.
SNOWBOARD
Começa hoje em Valle Nevado, Chile, a sétima edição do Brasileiro. A prova conta pontos para o circuito sul-americano e como seletiva para os Jogos de Inverno de 2002. A novidade é um half pipe, o primeiro na América Latina, com paredes de 4,5 metros de altura.
MUNDIAL DE LONGBOARD
Superada a crise de falta de patrocínio, começou ontem a segunda de três etapas que definirão o campeão mundial da modalidade. A prova está sendo disputada em Saquarema, RJ, e distribuirá US$ 35 mil em prêmios.
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