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A Unica saída

Por Luiz Alberto Mendes

em 23 de outubro de 2010

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                                                                     “Existem ontens e amanhãs.

                                                                      Não existe ‘hojes’”.

                                                                                         Mario Benedetti

 

Nesses mais de 6 anos aqui fora, tenho mesclado o que aprendi na prisão com o que tenho visto, aprendido, lido e relido aqui fora. Minha vida foi acelerada de 10 para 1000 quilômetros por hora. Tive que seguir em frente contra a corrente; só peixe morto segue a correnteza. Principalmente depois que ficou claro para mim que tudo que o fazemos são apenas meios. Tudo é instrumento e mediação. Busca de nos safar do nosso flerte com a insanidade de ser somente dentro de nós, sem poder repartir ou comunicar de verdade.

Trata-se, sem dúvida, da necessidade absoluta e desesperada de interação humana. Somente o sentimento de carinho para com o outro pode preencher o vazio, a angústia profunda que cada um guarda dentro de si. Não explico, mas sinto que esta na quantidade de afeto para com os outros a satisfação de viver. No fim e ao cabo de tudo, há certas idéias e sentimentos que sabemos que é preciso fazer prevalecer. Oferecimento, generosidade, compaixão, respeito, proteção aos mais fracos, apoio aos mais infelizes, distribuir e compartilhar saberes, conhecimentos…

Tudo me leva a crer que essa ultima parte, de distribuir e compartilhar dos benefícios do saber é minha área de atuação. É muito importante para mim que os outros saibam. Se me perguntarem por que, não saberia explicar. Talvez porque quero me comunicar, amar e ser amado. É um sentimento. Acho que vou deixando de ser ignorante e aos poucos vou conseguindo ser menos estúpido. Quem sabe seja só isso.

Sinto ganas de compartilhar com todos os diversos tons de uma palavra e o que compreendo do que ela diz. O que o rosto, a expressão corporal fala sem palavras. E quando unimos: palavra e gesto; idéia e imagem, de como nos conecta uns aos outros. Talvez se soubéssemos usar melhor a palavra, nos comunicássemos melhor. Aposto nisso.

Sempre entendi que ler fosse um exercício que exigisse estar sozinho, como escrever. Isolar para concentrar era o princípio. Hoje a experiência me ensinou que também para ler é importante estar acompanhado. Ler sozinho é busca de entender. Ler acompanhado é defender o que se entendeu e obter a contrapartida. Como o outro entende e no que discorda. Quando lemos sozinhos, ficamos abandonados, à mercê do conhecimento que nos é dado. Perdi muito do que li e estudei na prisão porque não havia com quem dialogar. Ler e conversar com alguém que também leu é cotejar, discordar, ampliar e fixar o lido. Além de ser um prazer enorme também. Quem já fez sabe do que estou falando. Até para escrever: a experiência demonstrou que o texto individual, não tem a substancialidade do texto produzido em grupo. O trabalho em equipe vem obtendo melhores resultados em todos os quadrantes.

A curiosidade da ignorância é muito mais selvagem na infância. Hoje as pesquisas do INAF indicam que o gosto pela leitura 47% vem por influência da mãe; 24% dos pais; e apenas 36% dos professores. Nos últimos 5 anos os estudos vêm indicando que as crianças cujos pais liam para elas desde pequenas, são as que aprenderam a ler e escrever com prazer e certa facilidade.

A lógica me levou a dirigir meus estudos também para essa área super nova (ao tempo que tão antiga…) da educação. Os pais precisam ser convencidos a lerem mais para seus filhos. Esse conhecimento precisa ser distribuído e compartilhado. E é por onde tenho caminhado ultimamente, com muito prazer.

Luiz Mendes

22/10/2010.    

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