Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Nos últimos dias o surfe de ondas grandes ganhou espaço nas revistas semanais e na TV. Há uma enorme expectativa na entrada de uma ondulação suficientemente grande que permita a realização dos campeonatos e concursos programados no Havaí e na Califórnia (EUA).
Enquanto isso não acontece, a história quase legendária do surfista Greg Noll, parcialmente citada na coluna da semana passada, parece ter interessado a muita gente. Vou, então, contá-la um pouco melhor, ou pelo menos descrever como ela entrou para a mitologia do surfe.
Da Bull, como Noll também é conhecido, era um especialista em ondas grandes. Passava a vida à procura de um swell épico, indo de praia em praia, de tempestade em tempestade, tentando ficar cara a cara com uma onda capaz de desafiá-lo. Durante 15 anos, nas décadas de 50 e 60, frequentou o North Shore havaiano.
Antes de dormir pedia a Deus que colocasse em seu caminho uma onda que o fizesse tremer, disse ao L. A. Times anos mais tarde. “Estava ficando convencido, me achava invencível.” Nos intervalos dessa busca fazia pranchas e, assim, financiava sua obsessão.
No dia 4 de dezembro de 1969, então com 32 anos, Noll encontrou o que buscava. Uma tempestade sem proporções varreu a costa havaiana. Casas foram levadas, barcos empilhados, estradas destruídas, enquanto paredes de água nunca vistas alcançavam o litoral do arquipélago.
Waimea, Pipeline, todas as praias do lado norte de Oahu estavam sem condições e ele resolveu checar Makaha. O swell de norte entrava perfeito, liso e gigante. A manchete da revista Surfer da época foi: “Kaena Point com 40, 50, 60 ou 70 pés”.
Três ou quatro amigos estavam na água surfando as intermediárias e ao contrário da habitual descontração, o assunto era um possível resgate de helicóptero. Depois de um tempo junto com o grupo, só observando, Noll se afastou para o fundo.
Quando a série entrou ele sentiu o que tanto esperava: medo. Mas sabia que se não remasse e tentasse descer aquela onda não conseguiria conviver com a situação. Então, deitou na prancha e remou.
Do telhado de uma das casas da região, Shaun Tomson, que em 1977 se tornaria o segundo campeão mundial de surfe profissional, filmou a onda em super-8. Quem viu o drop garante que nenhum outro homem, sem ajuda de máquina, entrou numa onda tão grande.
A história foi passada de boca em boca e, diz Tomson, de tão fascinante, à onda alguns metros eram conferidos por ano. A fita sumiu. Noll, corre o boato, teria pedido para que ele sumisse com ela. E assim, sem a imagem, a lenda só se agigantou.
Para sair do mar Noll passou o maior sufoco, por pouco não foi parar nas pedras. Seu amigo e salva-vidas Buffalo Keaulana o acompanhava de jipe pela areia, mas não precisou ajudá-lo.
Foi sua última onda. Depois dessa experiência ele vendeu a fábrica de pranchas, fez as malas e se mudou para o norte da Califórnia, em Crescent City, onde virou pescador e vive até hoje.
NOTAS
PRIMEIRA ONDA
Enquanto o patrono do local, Mike Parsons, se estressa com o inesperado crowd de principiantes nas morras de Cortez Bank, um pernambucano pouco conhecido, Alexandre Martins, surfou Maverick´s na remada e está no páreo da XXL.
ESQUI NA NEVE
A brasileira Luci Arnhold ficou em 3º na prova de slalom especial na Copa do Mundo de Masters disputada na Itália. Seu marido e presidente da Associação Brasileira, Stefano ficou em 12º.
MUNDIAL DE SURFE – WQS
A abertura da temporada foi no Havaí, e o favorito Kelly Slater ficou em segundo, com Pancho Sullivan vencendo a prova de apenas uma estrela. Os primeiros grandes eventos acontecem no Brasil, a partir de segunda o Hang Loose em Fernando de Noronha (PE), e na sequência o Reef Classic em Torres (RS).
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