A Rebelião das Palavras
em 7 de julho de 2011
Palavras…
Quando me decido a escrever, de repente as palavras se tornam muitas e eu continuo um só para escolher. Escolher aquelas que realmente careço, as necessárias. São exatamente essas que me resistem como um braço de força. Pior que ficam provocando; aparecem e desaparecem instantaneamente, tipo pisca-pisca. Deixam só o rastro para instigar. Quando parto para a ignorância, elas me fogem apavoradas. Não consigo alcançá-las por mais tente. As palavras têm pernas longas e coração forte.
Faço a cena do louco. Tento seduzi-las, envolvê-las com pensamentos para ver se encaixam. Mas não me deixam enlaçar mesmo que tontas de tantas tentativas e buscas infrutíferas. Ariscas, fogem assustadas de minha mente e me deixam vazio. Seco como um sapo morto no deserto. Estremecem com receio de que eu, já aborrecido com tantos medos e inseguranças, cometa uma violência. Morrem de medo que as capture e as obriguem a se comporem, mesmo sem vontade.
Como ultimo recurso viro bruxo, fada ou sei-mais-lá-o-que e tento encantá-las com minha mágica. Acho que se sentem ameaçadas e minha magia não funciona. Mas sou teimoso e insisto; ah! Vai ter que dar! Tento, em vão, mais uma vez persuadir. Até que, meio quebrado de tanto esforço inútil, acabo por desistir.
Só então que realmente começo a escrever.
**
Luiz Mendes
30/06/2011.
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