A praia da política
Quatro questões são cruciais para que o poder público vença a sujeira e a poluição
Por Alê Youssef
em 4 de maio de 2009
Na universidade fui presidente do diretório acadêmico da Faculdade de Direito e coordenador do Núcleo de Cidadania do Mackenzie.
Na época ainda participei ativamente da Ação da Cidadania, a famosa campanha do Betinho de combate à miséria e à fome. Logo depois de formado, dei aula de política contemporânea, ética e cidadania em colégios de São Paulo e frequentei a Escola de Governo – curso de extensão da USP para formação de governantes.
Em 1999 me mudei para Brasília para trabalhar com o então recém-nomeado ministro da Justiça, José Carlos Dias, e um ano depois estava em São Paulo participando ativamente da campanha de Marta Suplicy a prefeita. Dirigi a implantação da Coordenadoria Especial da Juventude da prefeitura de São Paulo e coordenei a área ao longo de quatro agitados anos, durante todo o governo Marta. Em 2004, lancei a candidatura de Soninha à Câmara dos Vereadores e chefi ei seu gabinete por dois anos.
Nas minhas experiências privadas, o aspecto público também sempre foi marcante: no Studio SP, promovemos shows gratuitos para lançamento de novas bandas e exposições de artistas emergentes, e o Overmundo, site multicultural e colaborativo, foi doado para um instituto sem fins lucrativos.
BIG BROTHER DO BEM
O resumo do currículo acima é para demonstrar que a política é minha praia, sempre foi. Participei, como relatado, de diversas experiências e convivi com personagens importantes. Vi gente que considerava bacana ser picada pela “mosca azul” e absorvida pelo sistema vigente. Vi outros desistirem diante das dificuldades e da sujeira.
Sinto-me, portanto, apto a analisar a atual conjuntura política do país e para assinar esta coluna de nome tão forte: Outra Política.
Mas qual seria essa outra política? A reposta passa necessariamente por quatro questões cruciais: 1) a outra política é 100% transparente e deve usar todas as tecnologias e a internet para se expor ao máximo num grande Big Brother público; 2) ela deve ser também acessível e informal, ou seja, ao alcance de todos que queiram participar, sem burocracias e especialmente sem formalismos exagerados, das “excelências” de plantão; 3) deve também ter cabeça aberta para o novo, ou seja, captar todas as práticas e comportamentos da nova geração, como se pautar pela sustentabilidade e pela economia criativa; 4) deve olhar para o futuro, buscar a nova ordem mundial da efi ciência e do bem-estar, rompendo com os dogmas sessentistas e setentistas de direita x esquerda, Estado máximo x Estado mínimo, comunismo x liberalismo etc.
Nos próximos meses pretendo me aprofundar em cada uma dessas questões para esboçar ideias que em última análise permitam que a praia da política consiga vencer a sujeira e a poluição, tenha muitas novas ondas e principalmente possa ser frequentada por todos e não apenas por malucos como eu.
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A ressurreição de Grilo
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu