A palavra desobrigou-se do ato
em 13 de dezembro de 2011
Envoltórios
A luz atinge a parte externa dos objetos e não penetra, apenas os reflete em expansão. Do objeto, a luz viaja para o cristalino de nossos olhos à absurda velocidade de 300.000 quilômetros por segundo. É então que se dá o fenômeno da visão.
Provavelmente é por isso que vivemos em um mundo de envoltórios, onde a forma é mais importante e o conteúdo perdeu o significado. Nossos sentidos não nos dão mais certeza de nada. A parte interior de tudo só poderá ser vista depois sob outros processos de leitura. Mas o que é o depois senão inexistência? Só o agora existe, segundo o pós-modernismo. A palavra sem sentido saiu do mercado, dominou a política, concretizou a poesia e ameaça contaminar as relações mais comuns.
Assim a palavra desobrigou-se ao ato, ficou só na fala e na esperança de quem nela confiou. O presente divorciou-se do passado e vai se impondo, descontínuo, descolando-se do futuro. Os meios acabam não tendo mais nada a ver com os fins e a realidade vai sendo expulsa da memória por consequência. Aceitamos por melhor aquilo que é menos pior e perdemos a noção de excelência. A injustiça de antigamente se tornou mais injusta ainda e o que era arriscado tornou-se extremamente perigoso.
Não se preocupe; a luz continuará sua hiper-veloz viagem pelo espaço, refletindo nos objetos e o mundo não vai acabar em 2012. Mas que vai ficar em cacos, lá isso vai sim!
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Luiz Mendes
13/12/2011.
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