Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Semana passada, duas notícias daquelas que fazem vir à cabeça, uma idéia meio ingênua, infantil mesmo…, prima-irmã do ditado popular ‘Vaso ruim não quebra’: Com tanto desgraçado saltitando por aí, por que só gente boa morre cedo e de repente?
O Pivô Bira era um astro de primeira grandeza, quando eu era moleque. Nas raras vezes em que meu irmão mais velho concedia em me arrastar para acompanhá-lo aos clássicos do basquete que, pasmem, lotavam o ginásio do Ibirapuera, era muito bonito vê-lo jogar, recebendo bolas embaixo da cesta, e suplantando, à base de malandragem e técnica, sua baixa estatura para a posição. Ubiratan era daqueles privilegiados que nascem com classe. Um tipo de Raul Cortez do esporte. Formava com Mosquito, Adilson, Dodi, Carioquinha, Marquinhos, Gilson e tantos outros, uma espécie de ‘dream team’ tropical, que inspirava uma legião de moleques a buscar o que a vida tem de melhor.
Gérson de Abreu foi outra perda triste. Jamais o vi pessoalmente, mas seu trabalho nas artes e na mídia tornou esse detalhe dispensável para respeitá-lo e admirá-lo. Se Bira veio ao mundo com o gene da elegância, Gérson nasceu com o da alegria. E do tipo contagioso. Sujeito inteligente, sabia que criança é só um ser humano mais novo, e não um bichinho inferior, ou deficiente mental. Sabia tratar os pequenos como eles gostam de ser tratados. Dizem que era excelente cantor. Com certeza, ator era. Que tenha tido uma morte tranqüila, e que esteja em paz, o que é certo, já que alguém que só construiu coisas positivas e que colocou sua energia a serviço da alegria, garante pufe e edredom na fila A das passarelas do céu .
Domingão
Nesse domingo, o Fantástico comemorou 1500 apresentações…Quase trinta anos. Muitos domingos. O dominical da globo merece parabéns, menos pela longevidade e mais pela virada imposta pela equipe que está no comando do programa há alguns anos, e que agregou a ele coisas excelentes, como uma dose de jornalismo sério, o humor bem produzido dos quadros apresentados por Denise Fraga, viagens a lugares interessantes, esportes feitos e mostrados por gente do ramo, que sabe o que faz e o que diz, como o sky diver Sabiá. Pelo que se fala no meio jornalístico, um diretor de nome Luizinho (o apelido, em se tratando de Globo, já aponta para uma humildade incomum) é um dos grandes responsáveis pela revolução silenciosa perpetrada no programa. Álvaro Pereira e o próprio Zeca Camargo colocaram suas experiências de jornal, revistas e TV a serviço da atração, com ótimos resultados.
Doutor Vida
É preciso destacar com todo o louvor possível, a criação e a execução do quadro de saúde pública apresentado por Dráuzio Varella, o nosso Surgeon General. É difícil imaginar forma mais precisa e útil para definir a verdadeira função da concessão federal de um canal de televisão. Educar, de forma moderna, sem que isso seja desinteressante e chato. O serviço que o doutor vem prestando ao revelar a verdade sobre o vício da nicotina nas últimas semanas, é mais importante e útil do que a maioria das campanhas de saúde pública levadas a cabo por qualquer dos governos recentes. O quadro serve também para redimir o programa das centenas de edições dedicadas no passado, a abordar de forma sensacionalista, remédios miraculosos e panacéias universais descobertas a cada semana, ou as reportagens sobre o ET de Varginha, e as breguíssimas Garotas do Fantástico, invariavelmente besuntadas de óleo.
A lamentar apenas, que a Globo só o tenha feito depois que a lei obrigou a secar os rios de dinheiro que a indústria do câncer despejava nela e em todos os meios de comunicação de massa, para viciar, escravizando e colaborando na matança de multidões por anos e anos.
Ainda que seja uma redenção tardia, antes assim.
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