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E o Brasil redescobre Portinari

O Projeto Portinari rastreia desde 1979 a obra de um dos maiores artistas brasileiros

E o Brasil redescobre Portinari

Por Redação

em 30 de setembro de 2011

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Trinta e dois anos de levantamento e seis mil e trezentos trabalhos. Esse é o resultado do Projeto Portinari, que, desde 1979, rastreia, em acervos particulares no Brasil e no mundo, a obra de um dos maiores artistas brasileiros, Cândido Portinari. Mas nem todo empenho de busca da equipe do Projeto os livra de surpresas. A maquete executiva do painel Abstrato, de Portinari, acaba de ser encontrada durante as pesquisas para recuperá-lo, na Galeria Califórnia, no centro de São Paulo.

João Cândido Portinari, filho do pintor e idealizador do Projeto, recebeu a notícia com entusiasmo. “A produção dele foi tão fantástica que que ainda hoje encontramos originais”, disse. De fato, somente no ano de 1951, Portinari produziu 120 obras. João é um dos homenageados do prêmio Trip Transformadores de 2011 pela importância de seu trabalho na recuperação da obra do pai.

É mesmo o momento de celebrar. A obra mais monunental do artista, os painéis Guerra e Paz, criados para ser um presente do governo brasileiro à sede da ONU, em Nova Iorque, está de volta ao Brasil. A razão é a reforma do prédio das Nações Unidas, que vai consumir 4 anos e 2 bilhões de dólares. “Como a obra é enorme, ela não poderia ser retirada para outro local e armazená-la ali com segurança custaria uma fortuna”, explica João. De olho na oportunidade, ele solicitou o empréstimo da obra e a trouxe ao Brasil no ano passado. Juntou a fome com a vontade de comer.

No curto período anterior aos painéis entrarem em restauro, eles foram exibidos ao público, no Rio de Janeiro por quinze dias. O que se viu na cidade foram filas homéricas de gente querendo conhecer, de perto, a mensagem da dor da guerra e do bem estar da paz que Portinari deixou para humanidade. No início de 2012, é a vez de São Paulo abrigar os painéis restaurados em uma exposição de fôlego, que permanecerá por cerca de 3 meses na capital.

Na página editorial desse mês da revista The Lancet, uma das publicações médicas mais importantes do mundo, há uma homenagem à Guerra e Paz, em razão dos 10 anos do ataque das Torres Gêmeas, em Nova Iorque e à necessidade de fortalecer organismos de enfrentamento das crises globais.

No texto, o editor da revista relembra o melhor significado da obra, dado pelo ex presidente Lula na ONU, o único representante brasileiro a mencionar a obra em pronunciamento público na Organização, que diz: “o sofrimento visto no painel nos remete a tremenda responsabilidade de prevenir a ameaça de conflitos armados. O segundo painel, Paz, mostra que paz é muito mais do que ausência de guerra. Ela supõe bem-estar, saúde e relações harmoniosas com a natureza. Isso pressupõe justiça social, liberdade e superação dos flagelos da fome e pobreza. Não é por acaso que o mural Guerra é posicionado para quem chega, e o mural Paz, para quem deixa o prédio. A mensagem do artista é simples, mas poderosa: transformar a aflição em esperança, a guerra em paz e isso é a essência da ONU”.

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