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Pai, filho e o espírito de 70

Parceiros na direção da produção da Netflix que lidera o ranking de audiência da plataforma, Paulo e Pedro Morelli, pai e filho, revelam os bastidores da recriação da saga do maior esquadrão do nosso futebol e provam que a atuação no “vestiário” entre pai e filho pode ser vencedora, mas exige afinação e bom jogo de cintura

Pai, filho e o espírito de 70

Créditos: Divulgação


em 12 de junho de 2026

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Mexer na história da Seleção de 1970 é entrar em território sagrado. O time que encantou o mundo no México virou símbolo máximo do futebol brasileiro e referência de uma época que segue despertando fascínio, debate e controvérsia.

Foi justamente esse desafio que mobilizou o diretor Paulo Morelli e seu filho, Pedro Morelli, convidados desta semana do Trip FM. Os dois estão à frente da série Brasil 70, produção da Netflix que recria os bastidores da campanha do tricampeonato mundial.

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Na conversa com Paulo Lima, pai e filho falam sobre a reconstrução daquele momento histórico, a escolha do elenco, a difícil missão de encontrar um Pelé para a ficção e os caminhos técnicos e dramáticos usados para levar o futebol para dentro da dramaturgia.

A série também revisita a figura de João Saldanha, interpretado por Rodrigo Santoro, e joga luz sobre as pressões políticas, esportivas e humanas que cercaram o time antes da consagração no México.

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Você pode ouvir o programa no play desta página, no Spotify, Deezer, YouTube, Apple Podcasts e outras plataformas de áudio, ou ler alguns trechos da entrevista a seguir.

Como funciona essa fusão entre realidade e ficção em uma série sobre um episódio tão sagrado da memória brasileira quanto a Copa de 1970?

Paulo Morelli: Eu definiria a série puramente como drama, e não como docudrama. Nós não utilizamos nenhum registro de arquivo ao longo dos episódios. A única inserção documental acontece nos créditos finais, quando exibimos os gols reais para mostrar o quanto fomos fiéis às jogadas. Fora isso, trata-se de uma ficção conduzida com imenso respeito pelos acontecimentos de 1970.

A nossa meta era colar o máximo possível na realidade, mas a estrutura dramática exige amarrações. Ninguém sabe com precisão o teor dos diálogos travados dentro de um vestiário fechado, por exemplo. Diante dessa lacuna, é necessário imaginar e criar situações. Conforme mergulhávamos na apuração, percebemos que a grande jornada daquela história pertencia ao Pelé. É a saga do homem que viria a ser coroado o atleta do século. Nós aproveitamos essa trajetória — da desconfiança ao ápice da superação — como o motor dramático para guiar toda a narrativa.

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O que mais te impressiona na experiência de trabalhar ao lado do seu pai?

Pedro Morelli: Eu nasci na casa de um cineasta, então esse sempre foi o assunto principal. Passei a infância e a juventude inteira assistindo a filmes ao lado do meu pai. Quando acontecia uma virada importante na história, ele dava um pause e explicava por que aquilo funcionava. Tive essas aulas de cinema 24 horas por dia em casa.

Aos 17 anos, na hora do vestibular, entrei em crise pensando se estava fazendo cinema por mim ou apenas para seguir a sombra dele. Fiz orientação vocacional e percebi que aquilo já tinha virado uma paixão própria. Poder revisitar essa conexão trabalhando com ele é muito bonito. Já fizemos três projetos juntos e eu acho a coisa mais linda do mundo trabalhar com o meu pai. A gente tem encontrado projetos em que isso faz muito sentido.

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Como vocês receberam as críticas do Tostão sobre algumas liberdades tomadas pela série?

Pedro Morelli: A nossa meta não era realizar uma reprodução milimétrica de cada detalhe histórico, embora o empenho para chegar perto tenha sido enorme. O foco principal era fazer o telespectador abraçar a jornada do Tostão, vibrar com a sua escalação e compreender as angústias que ele carregava.

Se a prioridade absoluta fosse o registro literal, o caminho natural seria o documentário. Quando você transpõe a realidade para a ficção, a prioridade muda. O fato central era que o Tostão almejava a titularidade e que o grupo apoiava essa escolha. O desenho exato de como cada conversa se desdobrou entre quatro paredes é impossível de resgatar com precisão absoluta.