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Ele ouve as queixas e dores dos maiores jogadores do país

Há 24 anos na seleção brasileira masculina de futebol, o médico Rodrigo Lasmar relembra Copas do Mundo históricas, a recuperação de Ronaldo e fala sobre saúde mental, fama, política e dinheiro

Rodrigo Lasmar, médico ortopedista da seleção brasileira de futebol - foto: Divulgação

Rodrigo Lasmar, médico ortopedista da seleção brasileira de futebol / Créditos: Divulgação


Por Redação

em 19 de setembro de 2025

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“Não existe atleta que performe bem estando mal mentalmente. Corpo e mente precisam estar em sintonia. No futebol, esporte coletivo, a saúde mental é ainda mais importante: é preciso alinhar todo o grupo, jogadores e comissão. Não é sobre serem melhores amigos, mas haver harmonia. Sem isso, não há vitória”, afirma Rodrigo Lasmar, médico da seleção brasileira de futebol masculino há 24 anos e chefe do departamento médico do Clube Atlético Mineiro.

Filho de Neylor Lasmar, referência da medicina esportiva, Rodrigo cresceu acompanhando o pai em sua rotina profissional. Ainda adolescente, acompanhou de perto a recuperação de Zico na Copa de 1986 — experiência que marcou sua escolha pela medicina e moldou sua carreira no futebol.

No papo com Paulo Lima, o ortopedista revela os bastidores das Copas do Mundo e relembra a volta triunfal de Ronaldo Fenômeno aos gramados em 2002 após lesões graves no joelho, uma recuperação que culminou no pentacampeonato.

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Durante a conversa, Rodrigo também reflete sobre o preço que o alto rendimento cobra dos atletas, fala sobre a convivência com grandes treinadores como Luiz Felipe Scolari e Tite e avalia o trabalho do atual técnico da Seleção: “Ancelotti surpreende pela simplicidade. Apesar de ser um dos maiores treinadores da história, é extremamente acessível e respeitado. Os jogadores olham para ele e sabem que estão diante de alguém que realmente tem autoridade de campo”.

Você pode ouvir o programa no play nesta página, no Spotify, Deezer e no YouTube da Trip. Confira um trechinho a seguir!

Rodrigo Lasmar, médico ortopedista da seleção brasileira de futebol
Rodrigo Lasmar, médico ortopedista da seleção brasileira de futebol – Foto: Divulgação

O esporte de alto rendimento é saudável para o atleta?
Rodrigo Lasmar. Esporte de alto rendimento não é saúde. É superação de limites, e isso tem um preço. A gente vê atleta jogando com dedo quebrado, com joelho inchado, com ligamento rompido… Coisas que uma pessoa comum não suportaria. O limiar de dor deles é diferente, a cabeça funciona de outro jeito. O desejo de estar em campo, de participar, faz com que eles se superem de uma forma quase inacreditável. Mas essa entrega cobra o preço lá na frente: muitos acabam a carreira com sequelas importantes.

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E como a saúde mental entra nesse processo? Não existe atleta que esteja muito bem fisicamente e mal mentalmente e que consiga performar. Não tem como. Corpo e mente precisam estar em sintonia. Hoje, além da parte física, a gente tem psicólogo no dia a dia da seleção, acompanhando refeições, reuniões, treinos, viagens. Não é alguém que aparece só de vez em quando. Essa presença constante cria vínculo e confiança, e só assim o jogador realmente se abre. Isso é fundamental, porque a pressão sobre eles é enorme, muito maior do que quando eu comecei, em 1999.

Rodrigo Lasmar, médico ortopedista da seleção brasileira de futebol

Qual é o papel do trabalho invisível, do staff fora de campo? Muita gente não imagina, mas atrás dos jogadores tem uma equipe enorme. Massagistas, roupeiros, fisioterapeutas, preparadores, seguranças… são dezenas de pessoas que fazem o dia a dia acontecer. É um trabalho invisível para quem está de fora, mas absolutamente essencial. Se essas pessoas não estiverem ali, nada funciona. Eu tenho muito orgulho de trabalhar ao lado deles, porque sei que são eles que seguram a seleção no dia a dia.

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