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Santos sempre foi caminho. Quando virou destino?

O fotógrafo Marcos Piffer ajudou a revelar a cidade que era passagem e virou endereço até do Trip FM, que estreia na rádio santista You FM

Santos sempre foi caminho. Quando virou destino?

Créditos: Marcos Pfiffer


em 12 de junho de 2026

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Por décadas, Santos foi o lugar pelo qual todo mundo passava para chegar à praia do vizinho. O porto, a fila de caminhões, os prédios tortos da orla. Uma cidade que o resto do país aprendeu a ver de relance, pela janela do carro, a caminho de outro lugar. Agora, é onde muita gente quer ficar.

A virada, no fundo, não foi de Santos. Foi de São Paulo. Segundo o Ipsos e a Rede Nossa São Paulo, 67% dos paulistanos sairiam da capital se tivessem a chance. Segundo a Fundação Seade, a cidade encolheu pela primeira vez em cem anos. O cansaço virou número, e parte de quem podia escolher desceu a serra.

A 70 quilômetros da capital, Santos era a saída mais óbvia que ninguém via. Com o trabalho remoto, dá para resolver o dia de manhã, cair no mar à tarde e ainda chegar a São Paulo quando precisar. Só que chamar isso de fuga para a praia é perder o ponto: quem chega não procura descanso, procura outra cidade.

/ Créditos: Marcos Pfiffer

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E Santos virou lugar de quem mora. Tem cozinha autoral como o Madê, do chef santista Dário Costa, citado entre os melhores restaurantes do Brasil e os 50 melhores do mundo, segundo o ranking da revista britânica Restaurant. Tem arte à beira-mar na Pinacoteca Benedicto Calixto, que ocupa o último casarão dos barões do café na orla. Tem os maiores jardins de praia do mundo logo na frente. Cultura e lazer viraram rotina, não programa de feriado.

/ Créditos: Marcos Pfiffer

Quem chega a Santos não procura descanso, procura outra cidade

Até a ficção reparou. Em Onde Está Meu Coração, série do Globoplay, Santos não faz o papel de outra cidade. Aparece como ela mesma, com o próprio porto na trama. Depois de tantos anos como figurante na imaginação dos outros, a cidade enfim faz o papel de si.

/ Créditos: Marcos Pfiffer/divulgação

Nada disso surgiu do zero. A identidade santista tem raiz, só que fora do óbvio. Foi ali que Plínio Marcos foi palhaço de circo antes de virar o dramaturgo dos marginalizados. Foi ali que Pagu manteve um grupo de teatro. Cidade de porto, de imigrante, de mistura, Santos sempre teve atitude, mas faltava plateia.

/ Créditos: Marcos Pfiffer/reprodução

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Talvez ninguém conheça essa cidade como Marcos Piffer. Fotógrafo e arquiteto santista, professor por 18 anos, autor de quase 30 livros, foi ele quem revelou Santos no preto e branco do filme, numa época em que a cidade não tinha um único livro de fotografia sobre si. “Santos significa muito pra mim. Por conta disso, eu tenho uma relação de amor e de tristeza muito grande com a cidade”, ele conta.

/ Créditos: Marcos Pfiffer

O amor veio primeiro. “Nasci em Santos, cresci em Santos, me formei em arquitetura e urbanismo em Santos”, diz. Foi lá que conheceu a mulher, casou e teve a filha. “Criei minha filha na beira da praia de Santos.” Anos depois, deu aula para ela na mesma faculdade onde estudou, o que chama de “uma das maiores alegrias da minha vida”. Quando lançou seu primeiro livro sobre a cidade, recebeu um texto de Paulo Lima, fundador da Trip, com uma ideia que poderia abrir esta reportagem: para fazer uma grande viagem, não precisava ir tão longe.

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O que torna a cidade desejável é o mesmo que o boom imobiliário ameaça apagar

Só que o olhar que mais amou Santos é o mesmo que mais sofre com ela. Para Piffer, a cidade foi destruída de forma sistemática nas últimas três décadas. Ele vê a especulação imobiliária engolir a parte baixa: prédios de até 48 andares no lugar onde antes havia quatro casas, “paliteiros” que sufocam a ventilação, o sol e a rua. “Dubai do brejo”, como dizia o poeta santista Flávio Viegas Moreira. São, nas palavras dele, “edifícios preciosos, com nomes ridículos”, colados uns nos outros, enquanto a praia some, comida pela dragagem de canais cada vez mais fundos. A mesma cidade dos maiores jardins de praia do mundo virou também uma das ilhas de calor mais intensas do país.

/ Créditos: Marcos Pfiffer

É a contradição que mora no coração de Santos hoje. O que torna a cidade desejável: o mar, a escala humana, a vida que cabe num bairro, é o mesmo que o boom imobiliário ameaça apagar. Quem foge do exagero de São Paulo torce para não trazer o excesso na mala.

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Talvez seja esse o retrato mais honesto de Santos em 2026. Uma cidade que enfim foi vista e que agora precisa decidir o que quer ser: lugar de identidade viva ou mais um paliteiro de frente para o mar.

/ Créditos: Marcos Pfiffer

De um jeito ou de outro, a cidade ganhou voz nova. A You FM, no dial 102,1, nasceu em Santos no fim de 2025  trazendo soul, jazz e pautas de comportamento e vida urbana. Uma rádio de Santos, mas que fala com o mundo. Para Cláudio Mussi, proprietário do Grupo Mussicom Brasil – responsável pela You FM e outras duas rádios locais –, o alcance da transmissão está se ampliando cada vez mais. “Antigamente, você só podia nos sintonizar aqui, na Baixada Santista. Hoje, pelo streaming, dá para ouvir em qualquer lugar do mundo. A rádio virou um sistema multiplataforma de comunicação”, disse em entrevista ao Diário do Litoral.

O Trip FM agora integra a programação da You FM, no dial santista

E é nessa frequência que entra o Trip FM. A partir de agora, o programa passa a integrar a programação da You FM, no dial santista. Faz sentido. A Trip sempre falou de comportamento, de cultura e de gente que escolhe viver do próprio jeito, e poucos lugares hoje traduzem isso melhor que esta cidade litorânea que decidiu se levar a sério. A mesma Santos que Piffer revelou em preto e branco, e sobre a qual Paulo Lima escreveu que não era preciso ir longe para fazer uma grande viagem, ganha agora trilha sonora nova.

Sintoniza lá: Trip FM na rádio You FM

Onde: no dial 102,1 (litoral paulista) ou no site da rádio

Quando: toda sexta-feira às 18h. Reprises aos domingos às 9h.

Ouça todos os episódios do Trip FM aqui no site ou nas plataformas de aúdio: Spotify, Deezer, Apple Podcasts e YouTube

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