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De olho no Brasil

Livro que retrata 100 personalidades brasileiras tem renda revertida para caridade

De olho no Brasil

em 31 de agosto de 2012

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Quando estava terminando a faculdade de Rádio e TV, em 2008, o paulistano Rodrigo Fuzar, na época com 21 anos, teve uma ideia ousada como tema de seu trabalho de conclusão de curso: retratar 100 personalidades identificando e registrando quem estaria “de olho” nos problemas do Brasil, e toparia mostrar o rosto por essa ideia. “O meu pensamento era: se inúmeras pessoas fazem manifestações ajudando os outros, por que eu não conseguiria fazer o mesmo?”, diz Rodrigo. Assim nascia o livro DE OLHO –  Um Manifesto Fotográfico, que chega às livrarias em setembro com renda revertida para o Instituto Bem-me-quer, que é um centro de desenvolvimento social, educacional e cultural para crianças especiais de Osasco e região.

Com a cara, a coragem e uma câmera, Rodrigo partiu de sua casa, na Vila Carrão, zona Leste de São Paulo, e durante três anos buscou, entre entusiastas e ídolos, traçar a identidade do projeto. Nomes como Antonio Abujamra, Sandra de Sá, Marcelo Tas, Os Gêmeos, Washington Olivetto, Emicida, o criador do AfroReggae, José Júnior e até os craques Neymar e Ronaldo Nazário, entre outros. Todas as fotos são em preto e branco e trazem os artistas com uma expressão séria no rosto. “Tentei colocar ênfase na questão de que não estamos satisfeitos com a atual situação do Brasil. O preto e branco se liga à ideia de tristeza, angústia e seriedade”, explica o fotógrafo. “Outra coisa que priorizei foi a questão de ‘intimidade’ nas fotografias. Se você reparar, a maioria dos fotografados estão com roupas do dia-a-dia, com pouca ou sem maquiagem.” 

“Sempre acompanhei campanhas sociais e notei que a maioria das causas juntavam pessoas de credibilidade para ajudar a fortalecer a sua mensagem. Resolvi juntar pessoas que de alguma forma são referência, e expandir ao máximo a diversificação dos escolhidos.” 

Além da enorme força de vontade – o projeto dependia só dele, desde conseguir os contatos das pessoas, convencer a participar do projeto e organizar a estrutura para fotografar, – Rodrigo teve que ter criatividade para realizar seu sonho. “São 100 personalidades, 100 histórias diferentes e 100 perrengues diferentes. Para conseguir contatos eu fazia de tudo, desde ligar para as assessorias até chutar e-mails pessoais das personalidades. Fui pra Paulínia, Santos, Rio de Janeiro, Campinas…e tudo de ônibus. Parece perto, mas como dependia de transporte público, tinha vezes que demorava até 3 horas para chegar no lugar e fazer foto que durava entre 5 a 10 minutos, e depois refazer todo o trajeto para a volta.”

“A história favorita foi de como eu consegui fotografar o ex-jogador Ronaldo Nazário. A fotografia ocorreu em 2010, e o Ronaldo estava no Corinthians. Fiz milhões de coisas para apresentar o projeto a ele, mas era impossível chegar perto, pois havia uma blindagem muito grande do clube e dos próprios assessores pessoais. Então num certo dia, surgiu uma promoção no Twitter de uma operadora de telefonia celular para conhecer o ex-jogador pessoalmente. E eu ganhei, acredita? Ali eu achei a brecha que precisava para apresentar o projeto a ele, que gentilmente aceitou a participar do manifesto junto com as outras 99 personalidades”, conta.

“Outro momento que achei engraçado foi fotografar a Mart’nália às pressas no aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro. Mesmo com um turbilhão de compromissos, ela foi mega atenciosa comigo e com o projeto. Achou um tempo que restava para me atender, e foi ali no aeroporto, entre uma viagem e outra, em frente uma porta branca de uma saída qualquer.” 

“A foto do Neymar, em 2010, foi horas depois da convocação do Dunga para a Copa do Mundo na África. O moleque era unanimidade na convocação para todos os brasileiros, estava no momento mágico da sua carreira, e por não ter sido convocado gerou uma revolta total em todos que acompanham futebol.  Existia essa indignação dentro da casa dele, mas ele estava tranqüilo, e sabia que aquele momento talvez não fosse a situação ideal para ele se apresentar para uma Copa do Mundo. Achei o moleque maduro, mesmo com pouca idade.”

“Quando vemos no noticiário uma atitude positiva e solidária, por um momento abre a brecha para a perseverança.”

Rodrigo acredita que o livro pode ajudar e impactar positivamente as pessoas através do exemplo: “Quando há um exemplo social de forma positiva, motiva as pessoas a serem otimistas em relação ao ser humano, em relação ao próximo. Assistimos ao jornal e vemos muitas tragédias, e isso é um exemplo negativo, que faz que não confiemos mais nos outros. Quando vemos no noticiário uma atitude positiva e solidária, por um momento abre a brecha para a perseverança.” 

E qual foi o problema que a maioria dos fotografados está de olho? “Educação. É o que desestabiliza todos os outros segmentos que há em nosso país.”

Rodrigo acredita no poder das ações que visam ajudar ou alertar o próximo. E o livro DE OLHO tem apenas um intuito: ver o Brasil com outros olhos. 

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