por Talita Di Iorio

Bozoma Saint John já trabalhou com Spike Lee e hoje tem o desafio de recuperar a imagem da empresa

Saí de uma sala no Centro de Convenções de Austin (Texas), no último domingo (11), e dei de cara com Bozoma Saint John. Fiquei sem reação. Peço uma foto? Falo alguma coisa? Cheguei tarde demais: ela vai em direção aos bastidores e saio correndo para pegar um lugar para a conversa dela com Jo Ling Kent, correspondente da NBC, no South by Southwest, festival de criatividade que acontece até o próximo domingo (18).

Sou admiradora de Bozoma há algum tempo. Não só pela posição atual de Chief Brand Officer da Uber (embora não seja tarefa fácil recuperar a imagem da empresa, depois que um dos seus fundadores deixou o posto de CEO, após acusações de assédio e sexismo, entre outros problemas) ou pelas passagens em empresas como Apple e Pepsi, quando colocou Beyoncé no show do intervalo do Super Bowl. Nem por ter trabalhado com Spike Lee, quando ele já era, bem, o Spike Lee, e sem querer ter corrigido um roteiro dele em caneta vermelha.

Sou fã dela porque, como porta-voz de marcas gigantes, ela consegue chamar a atenção para as coisas certas, sendo informal e vestindo um macacão de paetês em plena luz do dia, como o que usou no SXSW.

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Na conversa, Bozoma falou muito sobre a humanização. Ela acredita que marcas são como pessoas: têm personalidade, erram e acertam. Precisam entender como estar em sintonia com os temas atuais e que não dá para se esconder dos assuntos difíceis. É melhor falhar logo, corrigir rapidamente e aprender com esses erros. Mais: é preciso encorajar essas conversas difíceis.

Quando a inevitável pergunta surgiu – por que ela decidiu salvar a imagem da Uber? —, Bozoma respondeu que, se existem conversas importantes acontecendo, ela quer ser parte delas. É um dever. Ela precisa sentar na mesa onde são tomadas as decisões, com todos os seus paetês, e influenciar esses resultados.

Ou seja: se a gente quer mudar o status quo, precisamos ocupar os lugares de tomada de decisão. E trazer pessoas de contextos diversos para essas conversas, evitando que apenas uma só perspectiva seja ouvida.

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Boz leva isso a sério e, desde seu terceiro mês na empresa, é motorista da Uber. Diz que é importante fazer perguntas e ouvir, mas que nada substitui a experiência quando o assunto é entender o cliente.

Para a plateia, deu um recado: leve sua bagagem para o trabalho, imprima sua personalidade e consiga aliados para passar sua mensagem.

Para as marcas antiquadas, Boz recomendou estarem abertas às conversas que estão acontecendo no mundo e descerem do pedestal, já que é difícil ouvir quando se está nessa posição. “Contrate pessoas diferentes das usuais porque existem muitos pontos de vista. E se você não estiver fazendo isso a essa altura, é irresponsável – além de prejudicar seu negócio.”

Era para ser uma conversa sobre cultura organizacional, mas tudo o que ela falou foi sobre ser uma pessoa melhor: mais inclusiva, que escuta, é honesta e corrige erros rapidamente. Anotei tudo e acho que posso melhorar umas coisas por aqui também.

*Talita Di Iorio escreve para Update or Die

Créditos

Imagem principal: Stuart Isett/Fortune Most Powerful Women

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