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Vanete de Almeida

Líder da Rede LAC (Rede de Mulheres Rurais da America Latina e Caribe)

Vanete de Almeida

Por Redação

em 4 de dezembro de 2015

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Vanete é uma mulher que faz outras mulheres falarem, botarem pra fora em forma de palavras os problemas reais de suas vidas. Do sertão pernambucano a países africanos como Mali, Burkina Faso e Benin, Vanete percorre o mundo refletindo sobre as condições das trabalhadoras rurais e articulando encontros entre elas para debater temas como a convivência com a seca, a violência doméstica e as péssimas condições de trabalho. São situações delicadas também para homens, mas que se agravam quando se é mãe de família com filhos esperando em casa, pouco dinheiro para alimentá-los e sem nenhuma creche num raio de quilômetros. À frente da Rede LAC (Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe), essa avó de 68 anos representa 25 mil trabalhadoras de 23 países. São mulheres que, mesmo sem acesso a fax, telefone celular ou internet, decidiram se unir para trocar experiências e estimular o engajamento e a conquista de direitos para as trabalhadoras rurais de cada região. Sua iniciativa já levou, por exemplo, 260 brasileiras para trocar experiências com trabalhadoras mexicanas, promovendo um “intercâmbio social” que faz a diferença. “Atualmente, entre as minhas preocupações, está a discussão sobre a exploração da água potável no mundo, e em particular como isso afeta as mulheres rurais deste continente”, conta de sua casa, em Serra Talhada, cidade do sertão pernambucano onde nasceu Lampião. “Transformar é não aceitar e admitir injustiça. Primeiro, tem de se debruçar sobre a injustiça. Depois, se concentrar na transformação da mentalidade, do jeito de pensar. Eu penso como Vanete. Outra pensa como Luzia, como Maria… Quando a gente junta todos esses jeitos diferentes de pensar, nasce um pensamento social, baseado na igualdade, no respeito pelo outro, na ética. Tenho uma certeza: quando a gente consegue modificar a vida de alguém para melhor, mesmo que seja aqui no meio do mato, está ajudando a transformar o mundo. Comecei meu trabalho reunindo duas ou três mulheres assustadas. Hoje faço parte de um grande movimento.”

* Vanete faleceu em setembro de 2012 depois de um ano lutando contra um câncer.

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