por Lino Bocchini
Trip #216

Conheça a festa Voodoohop e seu principal nome, o alemão Thomas Haferlach

O começo, há três anos, foi com festas em bares e casas de prostituição da rua Augusta. Já montaram pistas no viaduto 9 de Julho, ao lado do Lanches Estadão, no Minhocão, na rua Riachuelo, entre outros lugares. Não por coincidência, todas essas regiões são consideradas perigosas à noite pela maioria dos paulistanos. “Com o sucesso das primeiras festas no Nova Babilônia [puteiro decadente da Augusta], vimos que podíamos fazer coisas mais radicais”, conta o alemão Thomas Haferlach, 31 anos, um dos criadores da Voodoohop, sentado ao lado de sua namorada, a francesa Laurence Trille, durante papo com Trip no Paribar, na praça Dom José Gaspar – onde também já fizeram festas. “Como viemos da Europa, temos certa carência por coisas mais velhas, prédios antigos... É uma pena que seja perigoso e que não tenha moradias ou nada de cultural nesses lugares, porque dá pra ocupar”, diz o rapaz de Colônia.

Ocupar é com o povo da Voodoohop mesmo. A sede fica na Trackers, projeto irmão que oferece oficinas de vídeo em um prédio semiabandonado no largo do Paissandu, também no centro paulistano. Três dos dez andares são ocupados justamente pelo pessoal do coletivo festivo criado por Thomas e Laurence e pela Trackers. O elevador não funciona, e o prédio, que abrigava um antigo bingo no térreo, já foi palco de dezenas de festas. “Eu não aguentava mais essas baladas de São Paulo, sempre tão caras e burocráticas, em lugares meio iguais, com comandas e segurança pra entrar e sair”, explica a francesa Laurence, 30 anos.

Fora a ocupação festiva de espaços degradados, a Voodoo ganhou fama por ser uma festa bastante libertária. Gente dançando sem roupa e produções extravagantes, das pessoas e dos locais, são uma constante. “Teve época em que tinha gente pelada na pista toda vez. Hoje em dia é mais tranquilo, mas o pessoal às vezes ainda fica de cueca ou calcinha”, diverte-se Thomas, que também é DJ e mora na praça Roosevelt. De sotaque forte e fala tranquila, o alemão explica por que escolheu a metrópole:

“Não aguentava mais meu emprego na Escócia [Thomas morou cinco anos em Edimburgo, onde formou-se em ciências da computação], com horário, escritório... larguei e na verdade vim parar em São Paulo porque seria a porta de entrada de um giro pela América do Sul. Mas aí gostei, fiquei mais uma semana, duas, mais um mês... já estou há seis anos.” E o que acha da cidade? “São Paulo é um lugar com pessoas ‘aventurosas’, querendo explorar possibilidades... e aqui as coisas ainda estão por acontecer, tudo é novo e você ainda pode redefinir as regras do jogo. Berlim também já foi assim.”

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