por Olivia Nachle
Trip #211

Paulo César Peréio se candidata a vereador em São Paulo e declara guerra aos carros

O ator Paulo César Peréio, a lenda, anunciou que vai se candidatar a vereador nas eleições deste ano, pelo PSB de são Paulo. e isso não é tudo: sua principal plataforma será proibir o trânsito de carros na capital. Pobre indústria automobilística, que agora  tem um inimigo da envergadura de peréio... 

Trip - Seu último papel como ator foi em 2011, certo? Algo programado?
Peréio - Não, querida, eu fiz uma peça que saiu de cartaz há pouco tempo, chamada Medusa de Ray Ban, no Teatro Frei Caneca. E estou fazendo um filme com o Sergio Bianchi, que se chama Trágica Coincidência, eu vou começar a filmar agora em maio e junho.

Como você chegou ao PSB? Já era filiado?
Não, eu era do Partido Comunista, mas como ele foi dissolvido, eu entrei pro Partido Socialista Brasileiro. Quando eu me filiei, eles me convidaram para ser candidato à vereador. Eu achei uma aventura interessante, já tinha experiência política, minha mãe trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Eu sempre participei de campanhas políticas, sou autor do Hino da Legalidade, que a gente fez sob o comando do Leonel Brizola.

Como anda a campanha?
Eu ainda só sou convidado. Os candidatos oficiais são referendados pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e isso só vai acontecer no final de junho, começo de julho. Então, eu fui convidado pra ser candidato. Se eu for referendado, é claro que eu vou aceitar. Eu pretendo fazer campanha fundamentalmente pela internet, não é mais comício, a coisa mudou muito Com a internet, você mobiliza muito!

E você usa bastante a internet?
Não, eu uso muito pouco, mas eu tenho 3 filhos que usam

Como vai ser o Peréio vereador?
Eu pretendo representar o cidadão paulista, no sentido de melhorar um pouco a cidade. Tem muita gente na rua, muita gente que demora três horas pra ir pro trabalho e outras três pra voltar, em São Paulo tem sete milhões de automóveis na rua e entram mil novos por dia. Quer dizer, estando lá, eu vou melhorar o chão da cidade, as esquinas, a consciência comunitária... Vou propor que se desenvolva o transporte de massa mais eficiente. Porque você tem o metrô, mas ele tá superlotado também. Mas o único transporte de massa que funciona mesmo é o metrô. Ou a motocicleta. O automóvel particular não anda. E tem automóvel pra vender por 50, 42 prestações...5 anos pra pagar!? Quando o cara ficar dono do automóvel, a cidade já parou. Eu estou me colocando em confronto, em linha de colizão com a indústria automobilística. É um bom inimigo, né? E claro, a corrupção é uma questão íntima e eu não me corrompo!

O senhor disse que a primeira coisa que vai fazer , se eleito, é lutar pela proibição de carros em São Paulo. Como aconteceria isso?
O que eu quero propor é proibir automóveis de circular na cidade. Mas, obviamente, é preciso desenvolver um transporte de massa eficiente pro cidadão paulista. É preciso, também, recuperar o chão da cidade de São Paulo. A cidade não tem chão. A pessoa sai de casa, pega o elevador, entra no seu automóvel, dirige, sai do seu automóvel, entra numa garagem, sobe de elevador Tem gente que mora em Alphavile que vem de helicóptero pra São Paulo. Você já viu como tem heliporto em São Paulo? Quer dizer, o município de São Paulo, que é talvez o maior aglomerado do mundo -se você considerar Osasco, Guarulhos, Santo André como já incorporados a São Paulo-, está perto de ficar parecido com a Cidade do México: o dia inteiro congestinado! A minha proposta é de proibir os automóveis -até os que já existem- de circularem na cidade! Não precisa parar de fabricar automóvel, pode fazer quantos quiser, só que não pode andar na cidade! Evidentemente, eu estou falando de carros particulares, e isso não inclui ônibus ou motocicleta.
São Paulo vai parar. Como eu disse, já tem 7 milhões de automóveis em São Paulo e entram mil por dia. Vai parar, entrar em colapso! E as pessoas não param de comprar. É um sonho meio imaturo de consumo, esse de ter o seu carrinho. Se a gente ficar comprando carro e pagando em 5 anos, em 2 não vai ter mais onde enfiar o carro, vai ter que colocar numa garagem. E numa garagem, com o problema de moradia que tem em São Paulo, dá pra morar uma família. Quer dizer, o custo do automóvel é um absurdo!

Pra isso ia ser preciso investimento pesado em transporte coletivo, certo?
Claro, claro! Mas veja só, eu repito, eu não estou finalizando; eu vou levantar essas questões, entende? Vou representar o cidadão paulista em relação a esse tipo de problemática. Vamos abordar também, por exemplo, o desconforto do ônibus.

Quais são as suas outras grandes propostas?
Relacionadas com isso, eu penso ainda na descentralização da cidade. Do meu apartamento, eu enxergo a Radial Leste. Tem um momento que ela congestona na direção da cidade; tem um momento que congestiona na direção do bairro. Até tem uma manobra que bota uma pista a mais, de acordo com o horário. Isso porque São Paulo é muito centralizada; tem que descentralizar. Já que a cidade já é tão espalhada, que se espalhe também os locais de trabalho, as repartições públicas, a administração pública e o comércio. Tudo isso que eu tô falando são preocupações minhas como morador, que ama a cidade de São Paulo. Mas agora, veja, essa seria a minha primeira aventura política. Eu não tenho ainda uma plataforma; Eu tenho uma cabeça pensante, os problemas que eu vejo todo dia como cidadão de São Paulo. O meu foco é exatamente melhorar as condições de vida do cidadão na cidade de São Paulo. Certas questões, como casamento homossexual, são coisas que eu não vou abordar; eu vou me fixar no cotidiano do cidadão daqui, de como viver melhor nessa cidade. Em melhorar o ar -a fuligem- que se respira. Quero que o cara possa ir passear nos parques no domingo com a família e possa respirar um ar limpo. Inclusive na periferia! O cara pra ir no cinema, tem que vir pra São Paulo! Tem que descentralizar o lazer também.


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