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Vida de frango

Conheça Guilhermoso Wild Chiken, o roqueiro que ainda não deixou 1958

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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O jovial rapaz do retrato acima chama-se Guilhermoso Wild Chicken, alcunha inglesa que traduz-se por Frango Selvagem. Ele acredita que este 1958 será um grande ano. Dois são os motivos para o entusiasmo. O primeiro é a confiança no êxito do escrete canarinho em trazer a taça Jules Rimet da Suécia. O segundo é a certeza de que o novo ritmo que divulga, assim como o bambolê, vai virar coqueluche entre a juventude brasileira. Chama-se rock?n?roll. Veio da norte-américa e é a mistura do estilo country com o blues dos negros. É música ligeira que faz balançar o esqueleto, faz troça Guilhermoso. Estará certo? Possível, afinal, nos Estados Unidos, músicos que tocam o tal do rock?n?roll como Chuck Berry, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis já são sensação entre colegiais.

Um parágrafo como o acima teria sido impresso no final dos anos 50 se Guilherme Kwasinsky tivesse vindo ao mundo em 1929. Mas ele, filho do ator Cláudio Corrêa e Castro, nasceu em 1964, seis anos depois do rock. Mas não se conformou com o lapso do destino. Quando pendura Débora, sua galinha de borracha, no microfone, ele vira Guilhermoso Wild Chicken, o Frango Selvagem do rock, que entra no palco de paletó e sai de cuecas, o vocalista que vive eternamente em 1958. Por isso, mesmo em 2005, todo show de Guilhermoso é um marco zero do rock brasileiro. Nos próximos meses, ele lança seu primeiro álbum oficial, Vida de Frango, que terá a participação de Mário Manga (ex-Premê), André Abujamra, o trio Los Pirata e uma penca de notáveis da música paulistana.

Sua biblioteca se divide em livros sobre mitologia, biografias do rock e histórias do futebol. São essas suas três paixões (há também o chá do Rei do Mate, que ele toma todos os dias no centro de São Paulo). A primeira paixão paga suas contas ? ele ganha a vida como professor de mitologia grega na PUC-SP. Graças à segunda, criou sua persona musical. A terceira, o futebol, já o levou a uma escola de árbitros e o faz andar com um par de cartões vermelho e amarelo, prontos para serem erguidos a qualquer um que mereça uma advertência. Essa obsessão também o arrasta ao pequeno estádio de seu time do coração, o diminuto Nacional Atlético Clube.


Fobia do frango
Foi pelo Nacional que, há mais de dois anos, superou a maior de suas fobias: sair de São Paulo. Cruzou a divisa para ir à conurbada São Caetano assistir ao seu time. Antes disso, não sabe dizer quando deixou São Paulo. Se sente vontade de viajar, vai à estação rodoviária e prostra-se a assistir aos ônibus deixando o terminal. É uma viagem mental, explica.


Free as a chicken, se define em relação aos romances. É galinha, Guilhermoso? Só se for no bom sentido. Para ele é uma honra carregar o apelido galináceo. É uma ave que não voa. Tem um vôo espiritual, platônico, lindo. E, enquanto todos dormem, ela começa a gritar ?có, có, có?. Que, traduzindo, significa: ?Vamos acordar para a vida!?.


E parece ser mesmo a vida a maior de suas manias. Ele grava conversas, jogos da arquibancada. Anota tudo que lhe acontece, prega listas nas paredes de casa para se lembrar do que mais gosta. No fundo, futebol, mitologia, mate, mulheres e listas são apenas o jeito de ele enxergar a vida como um épico. Como o próprio canta em seu hit Vida de Frango: Longa vida ao rock?n?roll / O jeito maluco de ser o que sou. (BTN)

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