por Nina Lemos

O Urban Nation reúne os maiores expoentes do grafite mundial – inclusive artistas e curadores brasileiros

Se você não gosta de paredes pichadas, rabiscadas, cheias de colagens e outras formas de “transgressão”, fica a dica: não venha pra Berlim. Isso porque a capital alemã transformou em patrimônio os grafites que a colorem desde os anos 80 (a parte ocidental do muro era toda rabiscada) e tem alguns dos murais mais importantes do mundo. Um deles (orgulho!) é d’OSGEMEOS. Pintado pela dupla paulistana, o prédio de Kreuzberg, zona cool da cidade, recebe montes de visitantes dia sim, outro também.

Em Berlim, a street art é cada vez mais levada a sério. Prova disso é que a cidade acaba de inaugurar um museu todo dedicado a ela, o Urban Nation Museum for Contemporary Art, primeiro do mundo nesse nicho. De quebra, uma ótima notícia pra nossa cena artística, tão atacada ultimamente: dividindo as paredes com David de la Mano, Blek le Rat, Shepard Fairey e outros expoentes do grafite mundial, brilham brasileiros; entre artistas, como Crano e Speto, e curadores de faro esperto, caso do casal por trás da plataforma Instagrafite, Marina Bortoluzzi e Marcelo Pimentel, referências no assunto mundo afora. “Eu era publicitária e caí no mundo da arte contemporânea com um perfil no Instagram em que postava os grafites com que topava por aí. O Instagrafite cresceu, e Yasha Young, diretora do museu, nos convidou para participar do projeto, muito esperado por todas as pessoas do meio”, conta Marina, que viaja o mundo organizando festivais e clicando arte de rua. Ela e o marido ajudaram a selecionar a primeira mostra do museu. “Convidamos gente da França, África, Ucrânia… Mas claro que focamos nos artistas latinos e nomes do Brasil”, conta.

Sem tinta cinza
As obras se espalham por dentro e fora de um prédio de três andares no antigo bairro gay e boêmio de Schöneberg e podem ser vistas no formato tradicional de museu, como numa galeria de arte, ou em seu hábitat natural: a rua. Sim, várias paredes da região foram lotadas de arte – há até um mapa para guiar o passeio –, e as instalações a céu aberto renovaram os ares daquela área, meio abandonada. No dia da visita da Trip, o museu estava cheio, e o destaque ficou por conta das várias senhorinhas em excursão.

Se tem polêmica? Claro. Para alguns, por seu aspecto subversivo, a arte de rua é instrumento de protesto, e não obra de museu. Já outros encaram como importante a exposição, forma de catalogar e proteger o grafite. O prefeito de Berlim, Michael Müller, recebeu o Urban Nation de braços abertos e declarou que pretende incentivar mais e mais a arte de rua – nem os grafites “de raiz” correm o risco de serem apagados. Fica a dica pra outros prefeitos.

 

Vai lá: https://urban-nation.com/de/

Créditos

Imagem principal: Divulgação

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