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UMA CACHORRA QUER TE COMER

Qualquer tipo de crítica pode ser feita contra ou a favor do trabalho de Gabriel O Pensador

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Qualquer tipo de crítica pode ser feita contra ou a favor do trabalho de Gabriel O Pensador. Do pseudônimo à atuação da mãe Belisa Ribeiro na era Collor , aos candidatos a detratores não faltará munição. De outro lado é verdade porém, que gostem ou não os pioneiros do rap, Gabriel foi o primeiro a alçar este tipo de música à condição de fenômeno de massa com tudo o que isso carrega de bom e de ruim. ‘Tô feliz, matei o presidente’, ‘Lôra Burra’ e coisas parecidas saídas da cabeça de Gabriel, ganharam rádios, programas de auditório e percorreram todas as alamedas que levam ao que a sociedade de mercado aceita como sucesso.

Não sei, nem quero julgar o mérito deste sucesso. Um burguês tentando se apoderar do ‘charme’ de um movimento periférico? Um rap que não é rap? A mim parece irrelevante. O que me interessa, e que considero digno de nota é a capacidade deste moleque de observar e se expressar melhor do que a média monossilábica de nossos artistas, atletas e outros que se expõe publicamente. Gosto de ver as entrevistas de Gabriel. Ele sabe falar, sabe se defender e, principalmente, parece não se levar a sério demais, mal que assola de forma violenta nossos famosos de plantão.

Por último, admiro a faceta de antropólogo canhestro desenvolvida por Gabriel. Aparentemente em intermináveis noites de baladas, terminando ou não na Bibi Sucos de Ipanema, Gabriel soube observar com astúcia o desfile de tipos que faz do Rio de Janeiro, um dos zoológicos humanos de maior variedade de espécies do mundo, alinhando-se com Nova Iorque, Amsterdan, Tóquio e Bangkok.

TIJOLO COM FIOS DE OVOS

Vejamos sua música mais recente, executada nas rádios e programas de auditório da TV. Gabriel relata com a precisão de um botânico catalogando uma nova espécie surgida entre musgos da mata atlântica, um tipo derivado da mulher, que ameaça primeiro tomar conta do Rio de Janeiro, depois do Brasil e possivelmente do mundo.

Estamos falando do que Gabriel em mais uma demonstração de talento antropológico batizou de ‘CACHORRA’. Uma rápida perambulada pelas calçadas das zonas sul ou norte do Rio de Janeiro fará até o mais desencanado observador perceber como se prolifera esta espécie animal.

Invariavelmente loiras em tom quase branco de cabelos, contrastando com a pele ocre de bronzeamento artificial, as cachorras vestem roupas absolutamente coladas e espremidas contra o corpo, muitas vezes brancas com transparências calculadas em milímetros. Os quadris, na maioria das vezes apresentam alguma sobra de gordura transitória, aguardando apenas alguma sobra de caixa para o financiamento de uma boa lipo. Recentemente, aliás, as cachorras descobriram as plásticas de nariz e, por algum motivo que nem Gabriel foi capaz de explicar, colocaram-na no alto da escala de prioridades, atrás do silicone nos seios e à frente dos culotes, quadris e nádegas aspirados.

C.L.T.

A cachorra clássica usa plataformas e saltos altíssimos para disfarçar seu um metro e cinquenta e nove, sonha em casar com um jogador de futebol para poder parar de malhar como uma louca e contratar um bom advogado. Confunde seu sexo com uma granada, uma arma poderosa, pronta para aniquilar e dominar seus adversários. Não faz questão de fama. Quer apenas um bom apartamento na Barra, uma viagem por ano, dois filhos e uma casinha melhor para os pais, além da certidão de casamento, uma espécie de fundo de garantia da cachorra.

Em tempo de pitbull e rottweiller, há cachorras mais perigosas à solta e se reproduzindo.

PALAVRAS-CHAVE
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