Um carro de fibra
O famoso calhambeque tem seu peso mal distribuído, o que, na avaliação de alguns, dificultaria a direção
Romeu exibe orgulhoso seu MP Lafer 1977 / Créditos: Sergio Flores
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Com a carroceria leve, feita de fibra de vidro, o MP Lafer é famoso pela má distribuição de peso – o que dificultaria a direção.
“Olha, um calhambeque!” A frase já foi escutada por todo proprietário de MP Lafer. E revela o quanto o modelo nacional permanece incógnito no trânsito. Apresentado como protótipo no Salão do Automóvel de 1972, o MP Lafer é na verdade uma réplica inspirada nas linhas do esportivo MG TD, modelo inglês fabricado em 1950 e que acabou fazendo sucesso em todo o mundo. De construção quase artesanal, com a carroceria moldada em fibra de vidro sobre a plataforma mecânica do bom e velho Fusca, o pequeno conversível alcançou relativo sucesso em 15 anos de produção, tendo mais de 4 mil unidades fabricadas no período de 1974 a 1989.
O mais curioso é que seu projeto não partiu de nenhum empresário ligado ao universo automobilístico. Pelo contrário. Seu idealizador, Percival Lafer, tinha a seu favor apenas o fato de dominar a técnica de modelagem em fibra de vidro, composto sintético utilizado por ele na construção de mobiliários – incluindo seu maior sucesso, a criação dos orelhões para as empresas de telefonia na década de 60.
“Com a abertura do mercado para os automóveis importados, em 1990, o interesse do brasileiro por réplicas e modelos fora de série basicamente desapareceu e a maioria desses carros acabou encostada ou foi parar nas mãos de quem não tinha como conservá-los”, narra o comerciante Romeu Nardini, 62 anos, proprietário de um – hoje raro – MP Lafer 1977.
Apesar de “descender” do esportivo inglês, a réplica nacional tem como uma de suas características a má distribuição de peso, o que dificultaria o controle de quem está ao volante. “A carroceria de fibra é muito leve e todo o peso está concentrado na traseira, onde fica o motor e também a cabine com apenas dois lugares”, avalia Nardini, que não vê problemas na dificuldade de contornar curvas ou realizar manobras mais arriscadas. “O MP Lafer é um carro para curtir sem pressa. Ele não anda, ele desfila.”
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