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TV DA BOA

Por que ninguém fala e investe em TV paga?

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Na medida que cada vez mais vemos o mundo através de intermediários, as telas vão ganhando espaço de forma assustadora.

Leio que já são vendidos hoje no Brasil mais computadores do que televisões. Com a aclamada convergência das mídias, que deve transformar computadores em televisões com super poderes, é muito provável que a influência da mídia se multiplique como um todo, mas, ao mesmo tempo, seja fracionado em centenas de subcanais segmentados e focados nos mais improváveis tipos de interesses e comportamentos.

Na rabeira do crescimento da influência das telas sobre a vida nas grandes cidades, cresceu também um jornalismo voltado a relatar e tentar compreender o que se passa nesse mundo virtual. Assim, há desde as revistas de fofocas – que se põe a discutir romances de novelas e a investigar a vida pessoal de artistas -, até livros e teses que aprofundam o tratamento do fenômeno paralelo em que se transformou esse mundo virtual.

MÍDIA DE MÍDIA

Por um motivo que não parece difícil de explicar porém, os jornalistas que abordam de forma mais séria o assunto televisão, dedicam a maior parte de seus espaços a criticar e apontar os absurdos da programação dos canais abertos. É que a enorme maioria da produção desses canais fica entre o sofrível e o execrável.

O fato é que se fala muito pouco dos canais fechados (as emissoras de programação paga). É verdade também, que a maioria dos canais disponíveis – para quem se propõe a pagar por uma seleção de melhor nível – é composta pelo mais bruto lixo, mas a parte boa do material apresentado mereceria mais atenção da mídia e do mercado em geral.

Até agora, salvo engano, são mais ou menos dois milhões de pessoas que se dispuseram a pagar algo entre 50 e 80 reais por mês para obter uma programação de mais substância.

Talvez seja um número muito aquém do que era esperado, mas está longe de ser desprezível. Aparentemente, por razões quase óbvias, de melhor intimidade com o meio, o grupo chamado Globosat, pertencente à O. G. (Organizações Globo) obteve, de forma geral, êxito maior frente à TVA, companhia do grupo Abril. Não só no que toca aos números, mas também à qualidade (pela lógica, os dois fatores estariam interligados, mas o que se vê na TV aberta é uma relação de menos qualidade igual a mais audiência). É fato porém, que a disputa entre ambas, tem gerado produtos excelentes se comparados ao que temos regularmente em nossas televisões.

Canais, como GNT por exemplo, na minha opinião, deveriam ser tratados com mais atenção pelos críticos de TV, como alternativa a todo lixo que com todos os méritos, esses profissionais não cansam de apontar. A valorização desse trabalho pela mídia, seria um grande passo para que os empresários e publicitários, que já perceberam que dá lucro investir em qualidade, aumentassem as verbas aplicadas ali, alimentando o canal para que aprofunde sua busca por material de primeira linha. No último domingo por exemplo, quem fugia do Fantástico e do No Limite, assistia a um indescritivelmente interessante documentário sobre como funcionam as mentes e as organizações terroristas no mundo (apenas o apresentador poderia ser um pouco menos maquiado). Viram o jornalismo da CBS norte-americana e seu ’60 minutes’ desvendando pilantras de uma igreja picareta, que vendiam diplomas de pastor e até de santo por dois dólares cada a cerca de 19 milhões de ‘fiéis’; na seqüência, um programa tão simples quanto excelente, reunindo Arnaldo Jabor, Dráuzio Varella e o ministro da saúde José Serra, ao redor de uma mesa, num debate mais esclarecedor e instrutivo que horas e horas de telejornais.

É importante que se abra espaço para essa programação nos grandes jornais e revistas; que as empresas socialmente comprometidas invistam patrocinando não só a GNT, mas aos outros canais da Globosat e da TVA, que têm investido pesado na informação, no esporte, na cultura e no entretenimento que merece esses nomes. Patrocinar assinaturas desses canais às escolas da rede pública, por exemplo, pode ser tão importante quanto conectá-las à internet, coisa que algumas entidades privadas já andaram bancando. É mais difícil e trabalhoso do que atirar pedras no Ratinho, mas será infinitamente mais útil.

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