por Luiz Filipe Tavares

Depois de dez anos de negociações, gravadora de David Byrne lança coletânea do soulman; festas pelo mundo todo são programadas pra homenagear o Síndico

Vale tudo! Neste dia 28 de setembro, o maior nome da soul music brasileira completaria 70 anos. Mas falar de Tim Maia apenas como soulman não faz justiça ao seu talento e sua longa carreira que marcou passagens pela jovem guarda, pelo funk, disco e balanço, por uma fase mística e por um momento de harmonias mais pop, sempre na mescla do que o próprio gostava de chamar de "metade esquenta suvaco e metade mela-cueca".

Para comemorar sete décadas do Síndico, a Luaka Bop, gravadora de David Byrne que popularizou no exterior nomes como Tom Zé, finalmente lança a coletânea internacional The Existential Soul of Tim Maia – Nobody Can Live Forever. No tracklist, quinze clássicos e versões inéditas do cantor registradas entre 1970 e 1976, o que inclui algumas gravações alternativas do período do LP Tim Maia Racional.

O filósofo cantor que incluiu tantas pérolas nas máximas e aforismos do Brasil finalmente ganha uma coletânea respeitavel a ser lançada em terras estrangeiras. O disco estava nos planos da Luaka Bop desde 2002 e em 2007 chegaram a anunciar prévias de algumas músicas que estariam no disco através da iTunes Store. Depois de uma longa disputa com o espólio de Tim, finalmente houve um acordo entre as partes para o lançamento, que chega às lojas físicas e virtuais estrangeiras no próximo dia 2 de outubro.

A edição da Luaka Bop é exclusiva para a Europa e EUA e não há previsão de lançamento por aqui mas pode ser ouvida na íntegra do hot site da coletânea ou no Soundcloud.

"Tim certamente estaria explorando a internet ao máximo, soltando uma música atrás da outra na rede. E quanto à política, obviamente estaria bradando contra o Ecad e ironizando a classe política. E quem sabe não teria conseguido a vaga no Senado que desejava um pouco antes de morrer?"

A gravadora ainda está organizando nesta sexta uma série de 15 festas em 15 cidades ao redor do globo. Na página de Tim no Facebook você o calendário completo que inclui celebrações em Milão, Belo Horizonte, Estocolmo, São Francisco, Lisboa, Nova York, Paris e muito mais.

Perguntamos pra Denilson Monteiro, escritor e responsável pelas pesquisas de texto e imagem de "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia", biografia escrita por Nelson Motta, como seria o Tim Maia de hoje? "Ele certamente estaria explorando a internet ao máximo, soltando uma música atrás da outra na rede. E quanto à política, obviamente estaria bradando contra o Ecad e ironizando a classe política. E quem sabe não teria conseguido a vaga no Senado que desejava um pouco antes de morrer?", imaginou o pesquisador. 

Veja abaixo dois momentos históricos da carreira do Sìndico em homenagem aos 70 anos deste que é um dos artistas mais carismáticos de toda a MPB.

Especial da Rede Mulher na virada do ano de 1997 para 1998

Tim toca inauguração do hoje extinto Teatro Bandeirantes em 12/08/1974

matérias relacionadas