Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça. Aqui, ao menos, contada com graça: este livro-reportagem compila as andanças do jornalista Xico Sá e do fotógrafo U. Dettmar [foto ao lado] por 60 mil quilômetros no semi-árido nordestino, documentando nossa mais antiga tragédia. A dupla encontrou histórias insólitas, como a descoberta de uma Nova York sertaneja [ltrecho abaixo]. Apesar de aqui e ali dar um nó no estômago, é livro para quem tem apetite por realidade.
Wellcome New York [sic], Maranhão, município de 4.499 almas. Não há nenhuma torre ou prédio que ultrapasse a altura das copas das suas mangueiras e cajueiros. […] A cidade-irmã de Manhattan, 5.058o lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano dos 5.507 municípios brasileiros, se divide entre os que vivem da pesca e os que vivem da roça. […] Até a década passada, as placas dos carros da cidade eram escritas à maneira gringa. New York mesmo, como a grafia inicial do lugar. Uma brigada nacionalista tratou de converter o batismo para Nova Iorque, além de recomendar o bom uso da língua portuguesa. Em algumas fachadas, no entanto, há marcas do estrangeiro. A sorveteria continua New York, o texto da campanha contra as drogas, pelos muros da cidade, termina sempre com um OK? e o açougue exibe lá no letreiro um berrante Shopping das Carnes […].
Ronaldo Bressane
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