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Rock de Minas

Como foi 3ª edição do Festival Jambolada, que reuniu bandas de diversas partes do Brasil

Rock de Minas

Por Redação

em 24 de setembro de 2007

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Uberlândia, interior de Minas Gerais, teve que deixar um pouco de lado a calmaria que paira sobre a cidade. Tudo por causa da terceira edição do Festival Jambolada, que reuniu nos dias 14, 15 e 16 de setembro bandas de diversas partes do Brasil e um público de mais de 7 mil pessoas.

Por Cirilo Dias

Sexta-feira
Com uma mistura de pregação com rock, os mineiros do Vandaluz deram início à maratona musical. As duas horas de atraso para o início do festival não foram suficientes para cansar o público que só aumentava no decorrer da noite. Mas, mesmo com os músicos se esforçando no palco, com suas vestes de monge, o pessoal ainda estava disperso pela Acrópole – casa de shows mineira, pensada para acomodar mais de 5 mil pessoas confortavelmente, algo em extinção aqui em São Paulo.

Logo em seguida, o AcidoGroove (vencedora do Prêmio Toddy de Música Independente na categoria Banda Revelação) surpreendeu aqueles que esperavam algo lisérgico ou cheio de grooves. Assim que a primeira nota foi desferida, pôde-se perceber uma mistura de Sonic Youth com pitadas de Los Hermanos, aliada às camisetas listradas grunges. O Proa (MG) veio para mostrar que também pode fazer parte do time de bandas instrumentais de respeito. Com sua surf music bem executada, conseguiu colocar o público – agora sim em número suficiente – para dançar. Destaque para a versão do tema de James Bond. Depois foi a vez dos também mineiros Falcatrua, que fizeram jus ao nome e conseguiram dispersar o público.

Antecipado devido ao atraso, Tom Zé subiu ao palco com cara de poucos amigos. O público, ansioso pela apresentação, conseguiu deixar o senhor do palco ainda mais irritado. “Deixa pra gritar depois, porra”, proferia Tom Zé em seus apartes. Mesmo assim, a platéia foi domada e cantava aos berros alguns clássicos como “Xique-xique” do disco Danc – Êh – Sá. Em dado momento o show foi parado novamente: Tom Zé perde a paciência e convida algum corajoso da platéia para dar o recado. E eis que a vítima sobe ao palco, pega o microfone e tenta ser simpático com Tom Zé, que imóvel, apenas observa o pobre coitado ser vaiado e retirado do palco pela segurança.

Tom Zé com "Xique-Xique" minutos antes do "xilique".

A essa altura, o festival já estava com quase três horas de atraso, e ainda passariam pelos palcos da Acrópole Juanna Barbera, Los Porongas, Vanguart, Porcas Borboletas e Daniel Belleza & Os Corações em Fúria. A primeira banda até que conseguiu segurar um pouco os ânimos, mas o cansaço estava estampado na cara de jornalistas, bandas e público – e até do técnico de som, que tirou um bom cochilo durante o show do Vanguart.

Os acreanos radicados em São Paulo do Los Porongas enfrentaram com competência a apatia do público e o som desregulado. Com músicas do primeiro disco Los Porongas, a banda mostrou por que estão em ascensão. Já o Vanguart temperou o clima de embriaguez do público com os hits “Cachaça”, “Miss universe”. O Porcas Borboletas, como sempre, conseguiram animar o público, um ato de bravura. Daniel Belleza e Seus Corações realmente tinham um motivo para estarem em fúria. Depois de encarar uma viagem de dez horas só para tocar no festival, o grupo foi prejudicado pelo atraso e pela interrupção brusca do show – já eram quase 6h. A solução agora era voltar pro hotel, esperar um belo café-da-manhã e torcer para encontrar algum pão de queijo.

Sábado
O atraso do dia anterior foi amenizado no sábado, apenas uma hora para o início dos shows. Um Bando e o Fim da Quadrilha e The Dead Lover´s Twisted Heart, ambas mineiras, ficaram encarregadas de abrir a noite. A segunda, uma promessa do indie rock, mas com um detalhe, a bela baterista Patsy, que deixou muito marmanjo babando. O clima ameno foi quebrado pelo show praticamente cover de Metallica e Motorhead protagonizado pelos cariocas do Super Hi-Fi. O público? Imóvel.

O momento guitarra do festival ficou por conta do Estrume’n’tal (MG) e Dead Smurfs (MG). O espaço da Acrópole – lotado – foi agraciado com muita surf music e rockabilly. Apenas 30 minutos foram suficientes para os pernambucanos Astronautas incendiarem o público, que em seguida até esboçou alguns momentos de euforia, mas se empolgou mesmo com o Supergalo. Já o Superguidis guardou em sua bagagem mais um show memorável. Com o set repleto de músicas do segundo disco A amarga sinfonia do superstar, o grupo ainda conseguiu no curto show soltar os hits “Spiral arco-íris” e “Malevolosidade”, do primeiro disco. Uma bela estréia em território mineiro.

Superguidis e sua "Exclamação"

O Antena Buriti cumpriu bem o papel de esquentar a platéia antes do headliner da noite, a Nação Zumbi. Com uma mistura de sintetizadores, hip hop e letras ácidas, o grupo mineiro foi outra boa descoberta no festival. Com o público na medida, a Nação Zumbi só precisou se posicionar sobre o palco para que a Acrópole fosse incendiada. Quando as cortinas se abriram, a sintonia já era perfeita entre todos os presentes, “Meu maracatu pesa uma tonelada” conseguiu ficar ainda mais caótica, em uma noite pra lá de inspirada do guitarrista Lúcio Maia. “Maracatu atômico” e “Macô” dispensam comentários. Após 11 anos, a Nação retornou a Uberlândia e colocou abaixo, mesmo que por alguns momentos, a calmaria mineira.

Nação Zumbi com seu maracatu pesando mais do que uma tonelada

Domingo
O terceiro dia de festival teve uma locação pra lá de nobre, a praça Sérgio Pacheco. Um belo espaço a céu aberto, cujo palco armado para receber Quarto das Cinzas e Móveis Coloniais de Acaju contrastava com barraquinhas de comidas típicas e algumas famílias que estavam ali apenas para aproveitar o domingo calorento e com sol estalando. Enquanto Quarto de Tom e Duofel.faziam a trilha sonora, a missão foi desbravar o lado gastronômico do festival, que rendeu uma bizarra – porém nutritiva – mistura de lasanha de palmito, feijão tropeiro, frango e batata palha. Tudo pela bagatela de R$ 5. Nada de pão de queijo até então.

Se a sexta-feira foi marcada pela trapalhada da organização, o domingo serviu para corrigir todos os deslizes do festival. A praça coalhada de árvores foi o palco perfeito para os cearenses d´O Quarto das Cinzas hipnotizarem todos os presentes, com a performática e encantadora Laya Lopes. O clímax foi a participação especial de Diogo Soares, do Los Porongas, na música “Circulares”.

Laya Lopes e Diogo Soares hipnotizando o público

A alegria transbordava quando o Móveis Coloniais de Acaju subiu ao palco. A poeira foi literalmente levantada do início ao fim do show. A grande roda armada na música “Copacabana” – marca registrada – foi uma das mais impressionantes promovidas pela banda. Para completar a alegria das 3 mil pessoas presentes, uma intimada geral em todas as pessoas da praça, desde famílias até os moradores dos prédios ao lado, para dançar e cantar a famosa cantiga “Se essa rua fosse minha”. E terminava assim, um dos melhores festivais independentes do país. A calmaria da bela cidade mineira Uberlândia pôde voltar a reinar.

PALAVRAS-CHAVE
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