Régua Política
Você lê Dostoievski, é fera em trigonometria...? Ótimo, mas você pode ser analfabeto e não saber
Por Alê Youssef
em 31 de março de 2006
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas…”
Bertolt Brecht
Já está mais que consolidada na sociedade brasileira a ideia de que não se muda o país sem antes fazer com que seu povo seja educado, culto e preparado para desafios. Em toda eleição o tema educação está presente no centro do debate, pesquisas mostram que um dos maiores desejos dos jovens é poder estudar, e é comum a mídia divulgar experiências pontuais notáveis.
Entretanto, existe um componente da educação ideal que muitas vezes é esquecido, até pelas pessoas que já entenderam que sem uma revolução educacional não se melhora o Brasil: a educação política.
No país, a aversão à política é uma questão quase cultural. Em todos os espaços de convivência social as pessoas que gostam de política são minoria. Os exemplos estão presentes no nosso dia-a-dia: grêmios dos colégios às moscas, centros acadêmicos das faculdades despertando pouco interesse nos alunos, representantes sindicais que se perpetuam no poder sem sequer serem questionados etc. Isso se reflete também no trabalho, em casa. Poucos são os que acompanham, cobram ou mesmo lembram em quem votaram.
Muitas vezes, de tão rejeitada, a política se torna um tabu e até quem gosta prefere se afastar para não “queimar o filme”. O engraçado é que, apesar de essa rejeição, é comum encontrarmos pessoas que têm a consciência do que a política deve fazer e mesmo assim repudiam com todas as forças a política em si. Quem não conhece aquele cara que reclama de tudo, tem opinião formada para todos os problemas e, quando vai votar, vota no Maluf ou no Enéas, porque político é tudo igual.
Participar, acompanhar, fiscalizar, comparar para votar e até se candidatar são algumas maneiras que podem contribuir para mudar essa situação. Fazer política deveria estar presente na rotina de todos nós. Uma vez por semana, vou verificar o que anda acontecendo com o orçamento da minha cidade, ou, duas vezes por mês, vou saber o que o vereador que elegi está fazendo.
Precisamos acabar com todos os tipos de analfabetismo. Dos que não sabem ler nem escrever e dos que, mesmo sabendo, não utilizam esse conhecimento para o bem do país.
*Alê Youssef, advogado, é sócio do centro cultural Studio SP e um dos coordenadores do site www.overmundo.com.br. Na foto acima, bem mais novo que seus atuais 30 anos, ele aparece todo pimpão com seu tênis Kichute e uniforme do Mater Dei. Seu e-mail é: aleyoussef@trip.com.br
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