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Rali humano

Na corrida de aventura, o importante é gerenciar os recursos dos atletas em função do percurso

Rali humano

Créditos: Peter Fendi


Por Ricardo Guimarães Trip #224

em 7 de agosto de 2013

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Na corrida de aventura, o importante é gerenciar os recursos dos atletas em função do percurso, das habilidades e dos limites da equipe. Perde quem gasta toda a energia do começo

Caro Paulo,

Viver com menos pode ser um chato desafio de momento, e não implicar um patamar mais inteligente de civilização. E isso seria uma pena. Viver com menos pode trazer uma lição de casa muito mais legal do que simplesmente diminuir o uso de recursos para viver. Falo de viver com o suficiente para se dar muito bem nas condições dadas.

Vou explicar isso usando o exemplo do esporte de aventura, tema muito íntimo da minha família. Você sabe que tenho filhos atletas e aventureiros. A minha filha Shubi é fera internacional em Ecomotion, que no Brasil faz parte do circuito mundial de provas de aventura. Para quem não sabe, aventura é uma competição entre equipes de quatro atletas que disputam o primeiro lugar durante dias praticando modalidades esportivas junto à natureza tão diferentes como bike, caiaque, corrida, rapel, caving, diving, natação etc. É também chamado de rali humano. Como são provas longas de 500, 700 quilômetros, o importante é gerenciar os recursos dos atletas em função do percurso, das habilidades e dos limites da equipe, da torturante e finíssima sintonia com a natureza e seus sinais, das modalidades, do sono, de um monte de variáveis, e sempre comparando com os outros, porque a meta é vencer. Quem perde e quem ganha?

Perde quem larga desembestado, gastando toda a energia logo no começo, sem noção dos limites dos atletas, provocando acidentes e dores que comprometem as condições de vitória. É impressionante a quantidade de gente forte que fica no meio do caminho. Vence quem se preparou como equipe, que cuida dos seus limites em função das condições da prova, dos competidores e dos objetivos, garantindo não só a final da prova, mas chegando inteiro sem se machucar, pronto para outra.

GESTÃO COMPETENTE

Se você quer chamar isso de sustentabilidade, pode chamar. Eu chamo de gestão competente em um cenário complexo, competitivo, cheio de incógnitas e surpresas. Ao contrário do que muita gente diz, isso não tem a ver com o futuro, mas com vencer ou perder cada minuto de prova, correndo a corrida toda com segurança, satisfação e bem-estar. Não é viver com menos para durar mais! É viver com a manha de quem joga o jogo para se divertir o tempo todo, sem negociar entre o presente e o futuro.

Tenho visto muita gente acusando a visão curto-prazista de culpada da má gestão dos nossos recursos e empresas. Não concordo. A visão de curto prazo pode ser vital para sobreviver num cenário de futuro muito incerto. Só que um resultado de curto prazo deve garantir melhores condições para um resultado no curto prazo seguinte também. Isto é, o longo prazo inteligente é uma sequência de bons curtos prazos interligados. Isso sim seria um novo patamar de civilização! Só que, segundo os princípios da evolução, será apenas para quem fizer a lição de casa.

Abraço do amigo,

Ricardo

PS: Toda hora é hora de fazer história! Mas que tem hora de vir para a rua, tem!

*Ricardo Guimarães, 64, é presidente da Thymus Branding. Seu e-mail é ricardoguimaraes@thymus.com.br e seu Twitter é twitter.com/ricardo_thymus
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