Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Uma notícia repercutiu muitíssimo menos do que seria de se esperar. A associação do grupo Folha com o grupo Globo tem na minha opinião importância estratégica e política para a nação infinitamente maior que a das cervejarias concorrentes que originou a AMBEV e ocupou por semanas as primeiras páginas do noticiário.
O silêncio por si só já é alarmante. Considerando que o grupo Folha já é sócio do grupo Abril nos negócios de Internet, forma-se com contornos assustadores, um triângulo de poder contra o qual poucas pessoas, instituições ou políticos poderão se insurgir ou sequer questionar sem o risco da aniquilação imediata. Não tem lógica no mundo real, imaginar que não haverá, ainda que da forma mais velada, um abrandamento das críticas e conflitos entre os novos ‘diários associados’, para pensar o mínimo.
Chega de alisar
Mais uma campanha patética alisa o tema drogas como se fosse um gatinho siamês inofensivo. Um punhado de jogadores ostentando camisetas com slogans babacas, cantarola sem jeito uma musiquinha doce que diz que droga não faz bem e que saúde é o que interessa. Mesmo que inconscientemente, os jogadores e autores da campanha prestam um desserviço à causa. Quando é que o ministério da saúde vai se tocar de que a verdade é o único ‘briefing’ possível para campanhas contra a proliferação de AIDS e das drogas? ISTO É publicou recentemente um artigo mostrando gente famosa que dispensa o uso da camisinha por achar incomodo. Na mesma matéria estatísticas alarmantes mostravam que a maioria das pessoas dispensavam o sexo seguro. Também sobre as drogas, por que não falar a verdade? Como é o lado bom e como é o lado do horror. Jogar luz, tirar as dúvidas que geram mistério e glamour, revelar os sentimentos de quem vive enjaulado pelo vício, sem carregar nas cores. Não há nada que sensibilize tanto ou que gere mais reflexão. Se for para jogar dinheiro fora com filmes ridículos ou desperdiçar os testemunhais de ídolos do esporte, é melhor doar a verba para as instituições que precisam e saberão o que fazer com ela.
Linda e suja
Reflexões políticas à parte, o Rio de Janeiro está infinitamente melhor que há 4 ou 5 anos. Não conheço as estatísticas a fundo, mas apostaria que os índices de criminalidade diminuem diante de um pingo de ordem, beleza e acesso ao lazer.
É lamentável apenas, que as autoridades que conseguiram este aparente upgrade, tenham permitido que o mar esteja poluído como nunca.
Ejaculação precoce
Realmente vale assistir ao novo trabalho de Almodóvar. O cineasta amadureceu a olhos vistos. Parece ter deixado definitivamente a fase de cores excessivas e angústia descontrolada, entrando num ciclo mais sutil e introspectivo, sem perder a força e a estética que o projetaram. Só não o faça nos cinemas do Shopping Eldorado. Apesar do ingresso a 10 reais, o ar condicionado é nulo ou insuficiente, o som deixa a desejar e os técnicos tem o prazer mórbido de acender as luzes da sala antes do final destruindo boa parte da magia que se busca neste tipo de ambiente.
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