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QUEM MANDA EM MARCELINHO?

No domingo, fiz algo raro para mim. Sentei-me diante da televisão para ver o jogo do Corinthians

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Não gosto muito de futebol. Quando vou ao estádio, costumo achar mais graça nas arquibancadas do que no campo. Gosto de ver o oceano de fulanos curtindo as delícias do anonimato. Uma vez entrevistei um sujeito que estava doente, impossibilitado de se mover da cama. Quando lhe perguntei o que mais gostaria de fazer se pudesse se levantar, respondeu sem precisar pensar. Ir até a padaria comer pão na chapa e ficar na arquibancada do Pacaembu. Talvez não achasse tão incomum se o cidadão não fosse muito rico e igualmente famoso.
No domingo, fiz algo raro para mim. Sentei-me diante da televisão para ver o jogo do Corinthians. Se não costumo fazê-lo em um dia qualquer, mais improvável ainda , que isso acontecesse num domingo de sol de inverno no litoral, quando , na minha opinião, a natureza chega mais perto de sua plenitude nestas plagas.
O que interessa é que assisti atentamente aos mais de noventa minutos,sem contar o interminável show do intervalo, ao menos ontem, uma constrangedora encheção de lingüiça, já que não havia sequer um gol para mostrar.

De tudo o que vi , o que mais me intrigou foi a performance e o comportamento do tal Marcelinho. Por algum motivo, que não é apenas a técnica na condução da bola, o sujeito com cara de garoto Pinduca e cabelo no formato de playmobil, magnetiza na sua direção , todas as atenções. Alguém sentado na mesma sala disse a certa altura: ‘Este Marcelinho irrita até cuspindo…’

CUSPARADAS

De fato, a atitude do jogador é permanentemente provocativa ao menos à indiferença. A impressão que se tem é de que seu espírito transborda o corpo e sai às vezes em forma de cusparadas, às vezes em forma de faltas incompreensíveis, outras em jogadas geniais.
Não me importa tratar de seu talento futebolístico. Nem sei se saberia fazê-lo com alguma eficiência.

O que me interessa observar, é que por vezes , algumas destas atitudes durante o jogo parecem sair de outra pessoa, completamente diferente daquela que consegue falar de forma ponderada até mesmo nas entrevistas à beira do gramado em pleno calor e emoção da disputa.

Para tentar entender o que se passa com esta estranha e interessante figura, socorro-me num trecho de uma carta que recebi de um amigo e que adapto para servir à minha tese canhestra:

‘Talvez não seja mesmo para entender, porque as jogadas e atitudes em campo são feitas com coração e emoção em estado bruto, e as entrevistas e depoimentos com a razão, o talento e a inteligência.

É perigoso que um dos lados assuma o poder . O brilhante e apaixonado não mede conseqüências, o inteligente que usa bem a razão é vizinho de porta do soberbo e arrogante.

Em casos extremos, a condição humana pode ser insuportável.

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