Por Redação
em 21 de setembro de 2005
por Ricardo Guimarães*
FOTO ARQUIVO AARON CHANG
Caro Paulo,
Você já pensou qual é o tamanho do seu presente? Repare: quando a gente é criança nosso presente é já. Não tem antes nem depois. Para um adolescente, o presente tem no máximo três dias, que é o tempo de chegar a próxima balada. Para um jovem, que tem emprego e vive por conta própria, o presente é do tamanho do salário. Se já tem filho, o tamanho do presente é o orçamento do ano no qual precisa caber escola, babá, supermercado, férias, psicólogo, natação, gasolina e poupança. Para um avô, como eu, o tamanho do presente é enorme, do tamanho de gerações. Ele olha para trás para ver se cumpriu sua missão e olha lá na frente para saber se pode ir embora deixando o povo bem instalado neste planeta.
Resumindo, eu poderia te perguntar qual o tamanho do seu ?aqui agora?. Qual o tamanho do seu horizonte de tempo e espaço? Na resposta está o tamanho de nossas possibilidades e de nossa liberdade. Como presente de 18 anos para os queridos leitores e companheiros de TRIP, aí vai um texto do físico Freeman Dyson, em De Eros a Gaia, sobre amor e cobiça e como eles mudam de tamanho à medida em que a gente vai vivendo e aprendendo.
?O destino de nossa espécie é determinado pelos imperativos da sobrevivência em seis escalas de tempos diferentes. Sobreviver significa competir com sucesso nestas seis escalas. Numa escala de tempo de anos, a unidade é o indivíduo. Numa escala de décadas, a unidade é a família. Numa escala de séculos, a unidade é a tribo ou a nação. Numa escala de milênios, a unidade é a cultura. Numa escala de tempo de dezenas de milênios, a unidade é a espécie. Numa escala de éons, a unidade é toda a teia de vida de nosso planeta. Cada ser humano é produto da adaptação às exigências dessas seis escalas. Por isso, há lealdades conflitantes profundamente enraizadas em nossa natureza. Para sobreviver, o homem tem sido leal a si mesmo, à família, à tribo, à cultura, à espécie e ao planeta. Se nossos impulsos são complicados é porque foram determinados por exigências complicadas e conflitantes.?
?O conflito central de nossa natureza é a luta entre o indivíduo egoísta e o grupo. A natureza nos deu a cobiça, um desejo robusto de maximizar nossos ganhos individuais. Sem cobiça não teríamos sobrevivido no nível individual. Mas a natureza nos deu também o amor em suas muitas variedades, o amor de esposa, marido e filhos, para nos ajudar a sobreviver em nível familiar, o amor dos amigos, para nos ajudar a sobreviver em nível tribal, o amor à conversa para nos ajudar a sobreviver em nível cultural, o amor às pessoas em geral para nos ajudar a sobreviver em nível da espécie e o amor à natureza para nos ajudar a sobreviver em nível planetário. Os seres humanos não podem ser humanos sem uma dotação generosa de cobiça e amor.?
Meu desejo é que você tenha o maior presente do mundo por esses 18 humanos anos de amor e cobiça. Está valendo muito. Parabéns. E obrigado pela chance de estar ao lado do amigo nessa briga. Até a festa.
Ricardo
*Ricardo Guimarães, 54, presidente da Thymus Branding, é colaborador da TRIP desde 1998. Seu e-mail é: ricardo@guimaraes.com.br
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