Porque gostamos tanto de viajar?
Existem vários motivos pelos quais viajar é bom, dos mais óbvios até os mais profundos.
Créditos: Henrique Marianno
Viajo desde os 14 anos. Profissionalmente, desde os 18. Tem horas que não posso nem ouvir falar em viagem. Por que diabos (ou deuses) a gente gosta de viajar?
Em qualquer lugar do mundo, a qualquer pessoa, a idéia de deixar para trás a vida, mudar de cena, é apaixonante. O óbvio, todo mundo sabe. Descansar, sair da rotina, conviver mais com as pessoas de quem se gosta.
Mentira. Isso tudo dá para fazer sem sair de casa.
Quanto mais viajo, mais me parece claro. O que me fascina é a idéia do abandono de identidade. O avião, o ônibus, carro ou trem funcionam para nós mortais, como cabines telefônicas para Clark Kent.
A verdadeira aventura é descobrir o que acontece quando se entra em outro cenário, com pessoas que não sabem se você é rico, pobre, estava mais magro mês passado, fez pós-graduação ou tomou pau no Objetivo.
O excitante exercício de checar se você, sozinho, sem a ajuda dos acessórios e molduras que a vida empresta, ainda tem alguma graça.
O outro ponto chave que faz as estradas encherem, os hotéis faturarem e o mundo ficar mais interessante é o fato de se abrir mão do controle absoluto, do seu destino imediato.
Explico: nas viagens, quase sempre, por mais que planeje, você é levado pela força agradável do prazer. Até nas insuportáveis excursões onde tudo é programado, sempre há dia livre para compras ou outras situações em que se escape.
Não há sensação mais agradável (pelo menos na vertical) para o ser humano, que sair de manhã com o equipamento básico de sobrevivência e uns trocados no bolso, num lugar bonito, com pessoas novas e deixar a vontade levar.
Quando se dá conta, você vê que anoiteceu e a satisfação e a alegria inibiram a fome, saudades, insegurança.
Aventura é escolher entre a ruazinha da direita que leva à praia e a da esquerda que vai dar na cachoeira.
P.S.: meu irmão, estou falando de viagem com o corpo e a cabeça mixados. Essa é a boa. Viagens com a cabeça leve e o corpo ágil. Mais Jacques Cousteau que Jack Kerouac.
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