por: Grupo HEINEKEN

Pega Leve

apresentado por Grupo HEINEKEN

A Trip investigou como o isolamento físico impactou em nossa relação com a bebida

É uma sexta-feira qualquer deste período de distanciamento social – mas podia ser segunda ou terça, já que os dias não têm sido muito diferentes em rotina: trabalhar, fazer reuniões, almoçar, limpar a casa, cuidar dos filhos, se exercitar ou fazer qualquer outra atividade que goste ou precise fazer, tudo sem sair de onde está –, as pessoas beberão com os amigos em casa, cada um na sua. Quarta-feira não é, por enquanto, mais o dia de almoçar feijoada com o pessoal do trabalho. O sol pode estar ardendo lá fora, mas você vai continuar dentro do lugar em que está, seguro em casa, ao menos quem não trabalha em nenhum serviço essencial aos outros.

“Estamos tão isolados dentro de casa neste momento e acredito que é o coletivo que vai nos dar força”
Camila Avarca, psicóloga

Porém, distância não precisa significar necessariamente isolamento: mais tarde você tem uma happy hour com amigos em encontros virtuais no seu app de preferência ou em alguma live do Instagram, e, enquanto a situação não normaliza, vai abrir uma cerveja em algum lugar entre a sala, a cozinha, o escritório ou outro cômodo de sua casa. O clima nesses eventos on-line nos aproxima da sensação de encontrar os amigos e às vezes a bebida surge como um elemento para compartilhar esses momentos. Ainda que seja bem diferente de um bar, no fim remonta às brincadeiras de grupo, memórias, situações que também aliviam a tensão e servem como um veículo de prazer. O álcool está no contexto, não é o centro, e isso é bom. "Tem gente que está fazendo lives com os amigos, tomando algo, trocando ideia, ou com o companheiro, conversando, fortalecendo laços. É importante uma fonte de prazer, sozinho ou acompanhado. Mas é importante a gente ativar de fato a coletividade, nossas redes. Estamos tão isolados dentro de casa neste momento e acredito que é o coletivo que vai nos dar força", explica a psicóloga, mestre em psicologia social e professora universitária Camila Avarca, que atualmente trabalha em seu doutorado em psicologia social, em que estuda a relação entre o consumo de drogas e a noção de autonomia. 

Outra rotina

Estamos bebendo mais em casa, mas estamos mesmo bebendo mais do que antes? Nos Estados Unidos, um levantamento realizado pela consultoria Nielsen indicou que as vendas no fim de março, quando foi decretado o distanciamento social, aumentaram 55% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mas estocar bebida quer dizer que estamos abusando de fato? No Brasil, nenhum estudo traz números sobre o consumo individual e compras em mercados, mas a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) registrou queda de 52% nas vendas do setor no período entre 15 e 31 de março, quando começou o distanciamento social. Esse número se deve principalmente ao fechamento de bares e restaurantes, que, segundo levantamento da KPMG encomendado pela Abrabe em outubro de 2019, responde por 61% do consumo.

“Para quem tem uma consciência da importância da saúde mental e uma atitude ética diante da vida, esse pode ser um momento de crescimento”
Leo Fraiman, psicoterapeuta

Conversando com as pessoas, porém, notamos que neste mesmo início da quarentena houve um aumento no que costumamos beber em casa, o que, com o tempo, estabilizou. "Eu senti claramente que, no começo do isolamento, realmente o consumo foi maior. Comida, bebida, foi tudo um exagero. Foi um momento que impactou muito no emocional", conta o cientista social Fábio Fernando, 40, que trabalha no instituto Kantar Ibope Media. "A gente até engordou no começo. Depois de uns 25 dias mais ou menos, a gente se adaptou e conseguiu diminuir, voltando a uma frequência parecida com a que a gente tinha antes", conta ele.

A experiência e a percepção do empresário Rodrigo Bragagnolo, 33, vão ao encontro da vivência de Fábio na quarentena. "Hoje não bebi ainda, mas vou tomar uma cervejinha mais tarde. A frequência mudou, porque tinham alguns dias em que eu não bebia, mas não é nada muito fora do normal", conta Rodrigo, durante uma happy hour que faz frequentemente com outros membros de sua família, residente em São Carlos, para falarem com a irmã, moradora de São Paulo. Na conversa, ele explica que os novos hábitos não atrapalham seus compromissos. "Mesmo em home office, estando em horário de trabalho, eu não costumo beber. Bebo no fim do expediente ou à noite. Mas não estou muito preocupado, porque, embora tenha aumentado em relação aos dias em que eu bebo, a quantidade diminuiu. Como o convívio com as pessoas é menor, a quantidade é menor também."

Só não vacila

Essa rotina não é muito diferente das respostas dos participantes de uma enquete realizada no Instagram da Trip, sobre se estavam ou não preocupados com o próprio consumo de álcool neste período de distanciamento social. "Tenho mantido a sanidade e o deboísmo costumeiro no copo." "No início da quarentena, sim, exagerei algumas vezes. Mas agora controlei a situação." "Já estive, mas agora diminui o consumo." Essas e outras frases, também tranquilas, dão o tom da interação.

“O consumo do álcool em excesso neste momento não tem a ver com a pandemia, mas, sim, com um vazio que já estava lá”
Leo Fraiman, psicoterapeuta

O psicoterapeuta Leo Fraiman, que presta consultoria ao Grupo HEINEKEN na iniciativa Day After Project, explica que o álcool entra na rotina em um lugar que pode ser ocupado também por outras atividades que nos dão prazer e não necessariamente devem ser imediatamente tratadas como um problema. "Eu desconheço estudos sérios mostrando que as pessoas estão bebendo mais, comendo mais ou ficando mais no celular. Mas, claro, a gente pode intuir que isso esteja acontecendo porque, quando a pessoa não tem recursos internos bem trabalhados, é muito tentador ao cérebro conseguir o alívio de uma dor, de uma falta, ou uma distração de um vazio", diz.

Por isso, para o terapeuta, o importante é estarmos atentos aos movimentos internos, às buscas e às intenções que temos ao beber. "Os prazeres consumatórios, seja o álcool, o açúcar, o videogame, o celular, qualquer um deles, não são problemáticos em si. A grande questão se torna problemática quando a intenção é errada ou a quantidade de vezes é errada. Ninguém desenvolve uma cirrose ou se torna dependente quando tem um consumo recreativo, leve. Ninguém se torna obeso porque comeu um pote de doce em um momento específico em que estava mais carente", diz Fraiman. "O consumo do álcool em excesso neste momento não tem a ver com a pandemia, mas, sim, com um vazio que já estava lá."

Camila vai no mesmo caminho que Fraiman: "Para mim, acho que o principal medidor é se o álcool está interferindo na sua autonomia, em vários aspectos. No trabalho, na sua relação… Se ele está te deixando mais agressivo com outras pessoas, se você está se distanciando das pessoas porque elas não querem ficar ao seu lado, se está entregando trabalhos no prazo, se está perdendo o interesse nas coisas que gosta. Esse é um parâmetro, tanto na pandemia quanto fora dela."

O importante é ficar atento e, a qualquer sinal de descontrole, procurar ajuda – e Fraiman tem observado um aumento na rotina de consultas durante o período de isolamento. "Praticamente todos os meus colegas, eu inclusive, estão atendendo on-line sábado, domingo. O consultório quase que dobrou, porque as pessoas estão procurando mais", diz. "Para quem tem uma consciência da importância da saúde mental e uma atitude ética diante da vida, de se cuidar, esse pode ser um momento de crescimento." Não foram poucas as mudanças que a pandemia trouxe à nossa rotina e é normal que tantos medos e incertezas afetem nossa saúde mental. Se precisar de apoio para lidar com os impactos dos novos hábitos e os impulsos relacionados ao consumo, não deixe de procurar auxílio profissional. 

Créditos

Imagem principal: Mariane Ayrosa

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