Logo Trip

PAÍS DE LARANJAS?

Ao contrário de boa parte do resto do mundo, é abundante e barata

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

Como já vão seis anos desde que comecei a ocupar este espaço, não me lembro exatamente de todos os assuntos que abordei, mas, se não me engano, lá por 97 ou 98, mencionei minha admiração por uma nova categoria de sucos que jogava sua âncora nas gôndolas do mercado brasileiro.

Leio com satisfação numa newsletter que se propõe a analisar as migrações de comportamento de consumo e marketing, que o fabricante dos sucos Del Valle, em poucos anos, não só dominou uma fatia enorme do mercado de néctar de frutas brasileiro, como na verdade, recriou esta categoria no País. Pessoalmente, ainda acho os sucos um pouco doces demais, mas os sabores são especiais.

Até a chegada deste produto, companhias como Parmalat ofereciam toneladas de sucos de laranja concentrados, de gosto ácido e distante do sabor da fruta, que, no Brasil, ao contrário de boa parte do resto do mundo, é abundante e barata.

Esta marca, aliás, que fez a perigosa escolha de se tornar especialista em tudo, pondo-se a fabricar de biscoitos a iogurtes, passando por queijos, times de futebol e chocolates, vem enfrentando dificuldades sérias no País, com repetidas trocas de seus diretores e executivos, num processo ‘turn over’ preocupante, e vendo as fatias de mercado que lhe cabem encolher em setores variados, como aliás previram alguns analistas.

A Del Valle recusou-se a acreditar em um daqueles paradigmas do ‘meia-boca’ que reinavam por aqui até os últimos anos do século passado. Este dizia que ‘brasileiro não toma suco de caixinha e não gosta de beber sucos que não sejam de laranja. Frutas como pêssego, manga, damasco e maçã, quando muito são tolerados quando feitos na hora’. A companhia preferiu apostar num mercado que, cansado da massa amorfa de açúcar e gordura chamada ‘Sonho de Valsa’, havia abraçado com força a avelã real e o creme que envolvem o ‘Ferrero-Rocher’, dando sinais de que sofisticação e qualidade já tardavam a chegar. O giro das caixinhas e latas dos sucos de pêssego, maçã e damasco é enorme nos supermercados e padarias, o que indica que o paradigma foi rompido, para desespero dos que acreditavam que estávamos condenados aos sucos com gosto de hotel americano.

No ângulo

Falando em quebra de paradigmas, acabo de voar pela primeira vez com a Companhia Gol. Um vôo pontual, check-in rápido (apesar do avião lotado), serviço econômico ágil e simpático, como aliás deve ser num vôo de 50 minutos. Qualidade excelente, igual ou melhor do que a concorrência, a um preço honestíssimo, por volta de R$ 140,00, quando no balcão vizinho era possível pagar cerca de R$ 400,00 pelo mesmo trecho. Se conseguir manter o padrão e o preço, oferecendo um pouco mais de vagas, facilitando o processo de reservas, a Gol vai em breve fazer companhia à Del Valle na categoria das marcas que se recusaram a tratar o consumidor brasileiro como trouxa.

PALAVRAS-CHAVE
COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon