Os Reis do Silêncio
Inspirada em João Gilberto, a dupla norueguesa Kings of Convenience traz para o TIM Festival, que acontece neste mês no Rio de Janeiro, um som acústico repleto de sutilezas
Por Redação
em 19 de outubro de 2005
POR THIAGO LOTUFO
Abra o mapa-múndi. Veja lá no alto, bem no alto: Noruega. Agora marque: Oslo, a capital. Pegue um barco e navegue pelo Mar do Norte através da paisagem repleta de montanhas que beijam a água (os fiordes). O destino? Bergen, segunda maior cidade desse país escandinavo e lugar de origem da dupla de nome oportuno: os Kings of Convenience (Reis da Conveniência, numa tradução livre). Eirik Boe e Erlend Oye são os dois que dividem o trono e as composições dos Kings. O primeiro, o moreno, se diz mais tímido. Além de músico, estuda psicologia há uma década – ‘Finalmente vou pegar meu diploma no ano que vem’, afirmou em entrevista por e-mail à Trip – e gasta horas de seus conhecimentos acadêmicos planejando cidades num escritório. ‘Tenho fé numa nova arquitetura, mais humana’, diz.
Erlend é o rapaz com cara de moleque e cabelos de fogo – além dos flamejantes óculos quadrados. É mais expansivo; cáustico. Há alguns anos, como um bom viking, se mandou para terras germanas e se estabeleceu em Berlim, onde toca projetos paralelos de música eletrônica. Bem paralelos, diga-se, pois o som dos reis noruegueses nada tem a ver com BPMs (batidas por minuto) aceleradas. Eles são acústicos e prezam a atmosfera de um oceano de calmaria em suas canções. Violões, bateria, um pianinho e vez ou outra cordas de violinos ou de um violoncelo são os instrumentos que dão vazão ao que compõem.
A opção pela não-eletrificação, porém, não os deixa nem um pouco próximos de bandas de rock que tentam se reinventar em versões ‘unplugged’. Os Kings of Convenience são monarcas das sutilezas. Os arranjos são discretos e, as melodias, cristalinas como água mineral. Eles cantam em inglês e assumem a influência de Simon & Garfunkel, Belle & Sebastian e Nick Drake – todos cultores da melancolia folk. Assumem também a inspiração suprema: João Gilberto, o mestre da tropical Juazeiro que provavelmente nunca ouviu falar da gélida e chuvosa Bergen. ‘Em 1995, minha mãe me emprestou o disco que João Gilberto gravou ao vivo com Stan Getz no Carnegie Hall (Nova York)’, conta Eirik Boe. ‘Esse disco me fez perceber que o silêncio é a grande sacada. A música dele me trouxe o conforto de não estar sozinho.’
O silêncio está nos dois discos da banda: Quiet Is the New Loud, de 2001, e Riot on an Empty Street, de 2004 e lançado aqui neste ano. No Rio de Janeiro, quando aportarem no palco do TIM Festival no domingo 23 deste mês, tudo que Eirik e Erlend esperam é que a música deles faça bastante barulho.
Rocinha, Bronx e Trenchtown
O som alto dos Strokes pode ser a sensação do TIM Festival. Mas é a batida do pancadão que deve surpreender no evento deste ano. O ritmo dos morros do Rio de Janeiro estará representado por duas atrações gringas: o DJ norte-americano Diplo e sua namorada, a MC cingalesa M.I.A.. O casal vêm ao país destilar sua tradução do funk carioca. Diplo mistura beats dos anos 80 com dancehall, rap e doses generosas de pancadão. M.I.A., por sua vez, promete transformar seu show num baile de periferia. Rocinha, Bronx e Trenchtown, tudo ao mesmo tempo.
Tim Festival: no Rio de 21 a 23/10, São Paulo 23/10, Porto Alegre 25/10 e Belo Horizonte 25/10
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