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OLHA O TRASH!

Não deve ser fácil manter o bom humor quando seus horizontes vão do auditório da Ana Maria Braga às plásticas de Renato Aragão

em 21 de setembro de 2005

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Não deve ser fácil manter o bom humor quando seus horizontes vão do auditório da Ana Maria Braga às plásticas de Renato Aragão. Pior ainda quando sua vida se resume a lidar com milhares de traficantes de pequenos poderes, como assessores artísticos, cabeleireiros confidentes e mães de miss.

O fato é que os jornalistas que produziram a reportagem de capa da revista Veja com Silvio ‘Telesena’ Santos, aparentemente não gostaram nem um pouco de ver seu ‘furo’ questionado por esta coluna em artigo recente com o título Golpe do Baú, de 16/05.

De fato, não deve ter sido agradável descobrir que uma entrevista que parece ser uma grande conquista jornalística era, na verdade, muito mais uma manipulação da assessoria e do próprio apresentador que precisava, naquela semana, posar de bom moço para tentar reverter uma situação que ameaçava jogar na ilegalidade a loteria que sustenta seu império de comunicação. Como escrevi na coluna mencionada, no mesmo dia em que Veja ia às bancas com o perfil do ‘Grande Gênio da Comunicação’, a Folha de S. Paulo revelava as mazelas jurídicas em que Santos via-se prestes a afundar.

Os jornalistas de Veja acusaram o golpe, mas no melhor estilo dos assessores artísticos ou dos políticos nacionais, preferiram poupar os mais poderosos e aguardar uma oportunidade para emboscar o alvo mais fácil. Sim, porque não convém atirar contra a Folha e o JT, que divulgaram a verdade, ou reclamar contra a manipulação ardilosa do SBT. A briga é pesada e empresarialmente perigosa.

Assim, como as crianças que, acuadas, apelam para agressões como ‘você é feio’ ou ‘meu pai é mais forte que o seu’, Veja utiliza uma ‘crítica’ a um programa do canal Shoptime para veicular sua farpa contra a revista que edito e que ousou republicar as idéias veiculadas nesta coluna. Com era de se esperar, sem qualquer assinatura, o texto diz que o programa pertence à categoria ‘trash’ ou seja, ‘tudo aquilo que, de tão ruim, se torna divertido. Exemplo: o filme O Ataque dos Tomates Assassinos ou os textos da revista Trip’.

A observação, vinda de onde vem, vale como um reconhecimento a uma revista que busca há quatorze anos o que há de mais trash no planeta. Da publicidade das cuecas Mash com o cantor Daniel à reunião anual dos bruxos mexicanos, passando pelo levantamento dos mais peculiares Saddhus da Índia, só nos interessa o que realmente é trash, da indústria do cigarro que mata 4 milhões de pessoas por ano no mundo e conta com a ajuda de importantes revistas semanais que veiculam suas publicidades, a donos de impérios de comunicação que consideram que cultura é coisa para o governo.

E, para nós, que adoramos observar e mostrar o que há de mais trash no planeta, não faltam boas escolas neste brazilzão. Vejamos o filme B de ação mostrado ao vivo pela tevê semana passada com atuação ‘brilhante’ da nossa Swat no seqüestro do ônibus no Jardim Botânico.

Por mais que Arthur Veríssimo, nosso editor especial contratado apenas para levantar pautas trash ao redor do mundo se esforce, jamais conseguirá superar a produção de lixo deste País. Em que beco da Tailândia encontrará uma montagem (atendendo a pedidos) aplicando o rosto do líder do MST a uma foto de James Bond segurando uma arma automática? Em que publicação peruana achará uma capa tão boa quanto a que alçava o Sr. Di Genio à condição de baluarte da educação brasileira? E, por falar em tomates assassinos, onde diabos podemos encontrar trash mais bem acabado que o furo do ‘boimate’, o genial cruzamento do gene do boi com o do tomate publicado na seção de biogenética de uma certa revista semanal dia desses? Nada mais trash que a arrogância.

Coincidência daquelas que nos fazem acreditar na física quântica: ontem, mesmo dia em que Veja publica sua pérola, o Jornal Gazeta Mercantil trazia com destaque a notícia de que o fundador e vice-presidente do Conselho do Zip.Net, terceiro maior portal da Internet brasileira, acabara de adquirir 20% da Trip Editora.

Considerando que se trata do mais importante nome da nova economia do País, que vendeu sua empresa para a Portugal Telecom por 365 milhões de dólares no início do ano, pode-se prever para breve, um trash turbinado, que não vai dar trégua nem mesmo aos mestres do trash jornalístico brasileiro. Cada um tem o trash que merece.

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