Obama e a graça na política

por Ronaldo Lemos
Trip #221

Lemos: ”O humor assume cada vez mais importância no campo político”

O humor assume cada vez mais importância no campo político. Nos EUA, já está tudo dominado. A Casa Branca incorporou a piada como uma de suas principais formas de comunicação com o público

Se fosse preciso escolher uma forma de comunicação para caracterizar a linguagem da internet, seria, sem dúvida, o humor. Ele se tornou a principal força que junta pessoas, organiza movimentos, protestos, cria comunidades e, com isso, assume cada vez mais uma importância política. Dois exemplos ilustram isso. O primeiro é o coletivo Anonymous, que continua a ganhar atenção da mídia global por suas ações políticas (como nos protestos feitos contra Marco Feliciano por conta da sua constrangedora postura à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara). Vale lembrar que o grupo surgiu por causa do humor. Sua origem aconteceu em fóruns underground da rede, como o site 4Chan, com o objetivo de simplesmente provocar risadas (carinhosamente chamadas pelo grupo de lulz, uma corruptela para o termo laughs, em inglês). Mesmo com o grupo se envolvendo cada vez mais com temas sérios, não perdeu o bom humor, que continua aparecendo em boa parte de suas ações.

Outro exemplo é a importância que o humor assume cada vez mais no campo político. Nos EUA, por exemplo, já está tudo dominado. A própria Casa Branca incorporou o humor como uma de suas principais formas de comunicação com o público. No último dia 1º de abril, por exemplo, o Twitter oficial de Barack Obama pregou uma peça no mundo inteiro. Anunciou que Obama faria um importante pronunciamento. Só que, na hora marcada, na sala de imprensa oficial, apareceu o garoto Robbie Novak, 10 anos. Ele é protagonista uma série de vídeos que se tornaram virais no YouTube, chamada Kid President (Garoto Presidente).

A brincadeira, que se tornou um viral em si, ajudou a reforçar o capital político de Obama e foi repercutida em praticamente todas as mídias, on-line e tradicionais. Não foi a primeira vez que Obama adotou a estratégia do humor. O jantar anual dos jornalistas na Casa Branca já se consagrou como um festival de humor, com Obama liderando o show. Na campanha presidencial contra Mitt Romney, o candidato democrata aceitou dar uma arriscada entrevista para os leitores do site Reddit, na modalidade chamada AMA (Ask me Anything ou Pergunte-me qualquer coisa). O site é conhecido por seu conteúdo bastante problemático (que inclui pornografia e ofensas). E também por ser fonte de divulgação de inúmeras das piadas que circulam pela internet. O resultado, uma vez mais, foi positivo para a campanha.

Rir pra não chorar

Enquanto isso, o Brasil ainda está longe de adotar o humor como uma prática consolidada no meio político. Ao contrário, a política no país dá mais razões para choro do que para riso. Mas, ao menos do lado dos eleitores, as coisas estão mudando. O humor está se tornando cada vez mais importante como uma reação da sociedade às campanhas políticas, como mostraram os bem-humorados virais surgidos nos últimos períodos eleitorais.

O fato é que o humor pode contribuir para aumentar a transparência do debate eleitoral. Ele coloca figuras políticas na berlinda e permite dizer coisas que nem sempre são ditas no debate eleitoral “sério”. Em outras palavras, ele é mais um jeito de colocar a política sob a desconfortável luz do sol, que tudo desinfeta.

*Ronaldo Lemos, 36, é diretor do Centro de Tecnologia da FGV-RJ e fundador do site www.overmundo.com.br. Seu e-mail é rlemos@trip.com.br

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