O técnico que admite o erro e pede desculpas
Bernardinho, ao contrário de Felipão, parece saber a diferença entre um trabalho firme e enérgico e uma dureza áspera e desmedida
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Aos trancos e barrancos, Felipão livrou o próprio pescoço da degola e, com uma boa dose de sorte, o Brasil não apenas está na Copa, mas num dos grupos mais fáceis da fase eliminatória da competição. Para seu próprio alívio, para o alívio da TV Globo, e, por último, para que o povo brasileiro não vivesse uma vergonha insuportável, o técnico da seleção brasileira de futebol continua tendo o que fazer até junho de 2002. Nada garante, porém, que Felipão continue no cargo. Desavenças com jogadores, dirigentes e membros da imprensa são colecionadas em boas quantidades, graças à mistura perigosa de maus resultados com personalidade forte e temperamento explosivo.
Um outro técnico da seleção brasileira, porém, goza de posição bem mais confortável. É o ex-jogador de voleibol Bernardinho. Ao contrário de Felipão, o treinador de vôlei parece saber a diferença entre um trabalho firme e enérgico e uma dureza áspera e desmedida, que resvala muitas vezes na ignorância.
A reportagem feita por Phydia de Athayde para a edição de dezembro da TRIP mostra, em primeira mão, por que, ao contrário de Felipão, Bernardinho é aclamado pela maioria como o melhor candidato ao posto de técnico número 1 do Brasil.
As mulheres amam o Bernardinho porque ele sabe admitir quando erra. E não tem vergonha de pedir desculpas. ‘Às vezes, ele me xingava tanto que eu ficava com medo’, lembra a levantadora Hélia de Souza, a ‘Fofão’. ‘Mas depois pedia desculpas na frente de todas’, completa. (…) As mulheres o amam também porque atleta gosta de ganhar – e, com ele, o time nunca saiu do pódio. Ficaram entre as três primeiras colocações em todas as competições que disputaram, com exceção de um honroso quarto lugar no Mundial de 1998, que, para o técnico, ‘pareceu a morte’.
Para se despedir do trabalho com elas, Bernardinho usou artifício dos mais femininos: uma carta de adeus que foi lida em sua ausência, durante um almoço de confraternização pós-Olimpíada de Sydney. Nela, agradecia a todas, uma a uma, por cada momento de união, de luta, de lágrimas e de vitória nos últimos sete anos. Mulher é um bicho que chora – e choraram juntas naquele dia.
Bernardo da Rocha Rezende está com 42 anos e experimenta, há apenas sete meses, o comando – e as vitórias – da seleção masculina de vôlei. Desde que implantou sua filosofia, a equipe saiu da ressaca olímpica de 1992 e ganhou 100% das disputas de 2001.
É a primeira vez que ele comanda um time de homens e apresentou aos marmanjos seu método único de trabalho: um conceito liberal de concentração, estudo informatizado do time adversário e a cobrança de ‘não menos que o máximo de cada um’ na quadra. (Leia a reportagem completa na edição da TRIP de dezembro).
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