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O homem igual a mim

Todo o mundo tem um sósia por aí. Encontrei o meu ? e sobrevivi

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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   Diz a lenda que todos temos um sósia em algum lugar do planeta. Li, outro dia, um conto de Julio Cortázar em que ele narra a história de um homem obcecado em encontrar o seu sósia. O protagonista acredita, também, em outra lenda que diz que, quando alguém encontra o seu e o olha na cara, morre. Ele fica obcecado pela idéia de achar o seu semelhante perfeito e o fica procurando até que descobre a cidade em que mora. Vai até lá, acha a pessoa e marca um encontro com um pretexto qualquer. O encontro é sobre uma ponte. Na hora certa, o personagem está lá esperando, vê seu sósia se aproximar e, antes que ele possa manifestar qualquer tipo de reação, o empurra por cima da varanda da ponte e fica contemplando a correnteza do rio levar o corpo do outro afogado.


   Em condições menos dramáticas, descobri que também tenho um sósia. A coisa foi assim. Um dia estava fotografando em Nova York uma top model para uma campanha qualquer. A menina era linda, muito linda, tipo top-linda-demais. A uma certa altura achei que ela me olhava de um jeito estranho, com uma cumplicidade e uma intimidade que não me lembrava que existisse entre nós. Em um momento em que estávamos a sós me perguntou a respeito da minha casa em St. Barts, uma casa que obviamente ela conhecia muito bem. St. Barts é uma ilha no Caribe, onde os playboys do mundo inteiro passam alguns meses no inverno acompanhados, especialmente, de top models como aquela.


   Contei para ela que nunca tinha estado em St. Barts e muito menos tinha uma casa lá. Ela não acreditou. Foi fazendo outras perguntas inclusive sobre um outro suposto nome meu, que, descobri, seria Fabrízio. Neguei e neguei a história. Tanto que ela fechou a cara e a partir daquele momento falou comigo só o essencial. No fim do dia achei que a coisa era estranha e pedi para o meu assistente descobrir o que estava acontecendo. O que ele me contou, um par de horas mais tarde, em volta de duas Rolling Rocks, foi alucinante.


Eu com mulheres deslumbrantes
   Acontece que a top model, uns meses antes, tinha pego um avião para St. Barts e sentado ao lado de um cara que achou que era eu. Era, segundo ela, idêntico a mim. O outro eu puxou conversa e falou de sua casa em St. Barts, do seu carro e blablablá. O cara disse que se chamava Fabrízio. Ela achou que ele era eu, e estava dando um nome falso, uma dupla personalidade, porque sabia que eu era casado. Achou legal a brincadeira e foi em frente no faz-de-conta. Fabrízio, por outro lado, achou a coisa fácil, a levou para a casa dele em St. Barts e mandou ver. Depois sumiu. Aquele dia no estúdio era o primeiro que ela reencontrava o Fabrízio/eu ? e achou que eu estava fazendo de conta que nunca tínhamos tido nada. Quando meu assistente contou que eu e Fabrízio éramos duas pessoas diferentes, a top, em lugar de ficar putíssima com o outro, ficou furiosa comigo. Levei a fama e não fiz a cama.


   Meses depois tive de ir fazer uma foto em St. Barts. Logo que cheguei fui convidado para uma festa na casa de um cara que se chamava… Fabrízio. Na hora certa estava lá. Bela casa, música impecável, modelos saltitantes, brisa suave, corpos dourados ao sol caribenho, sorrisos milionários. O paraíso. Em um canto de uma das salas tinha um painel com fotos penduradas. Para meu espanto lá estava eu com mulheres deslumbrantes. Em uma delas eu vestia um roupão com uma modelo sentada no meu colo. Justo eu que nunca tinha vestido um roupão! Em outra, eu com um charuto na boca e meus braços em volta de duas deusas. Em mais outra eu com sei lá quem. Era eu, e eu, e eu. Só que não era eu.


   Neste momento alguém me cutucou nas costas. Quando me virei estava olhando para um espelho tridimensional. Era Fabrízio. O meu sósia era idêntico a mim. Claro, senão não o seria. A diferença era que ele segurava um charuto na mão direita e eu não. Fabrízio não parava de gargalhar. Contou-me que sabia de nossa semelhança fazia tempo. Que se aproveitava dela sempre que necessário e que a história da top model não era a primeira vez que tinha acontecido. Recusou-se a dar os nomes das outras. A noite foi longa. Ao que me consta nenhum dos dois tinha lido, ainda, a história de Cortázar.

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