Por Redação
em 23 de abril de 2008
Por Bruno Dias, do site Urbanaque.com.br
Fotos e vídeo Cirilo Dias
Graças ao lançamento de Antes da queda, os paulistanos do Banzé! mostram a que vieram. Quem ouviu a estréia dos rapazes sabe muito bem do que estou falando. De pernas pro ar era um disco regular, apesar de ter alçado a banda ao cenário, rendendo até prêmio de melhor videoclipe independente no VMB para “Doce ilusão”, mas não mostrava todo o potencial do grupo.
As mudanças na formação, culminando na entrada do baterista Loco Sosa (Los Pirata) e a definição como um trio, fizeram muito bem ao Banzé!. Assim, dá pra afirmar facilmente que Antes da queda tem tudo pra ser um dos melhores discos de rock nacional de 2008, perigando abocanhar o título de melhor lançamento do gênero.
Um disco pesado, com letras mais maduras e seguindo uma linha mais agressiva musicalmente (comparado ao primeiro disco), principalmente nos timbres de guitarra e na bateria de Loco Sosa.
Algumas boas parcerias, duas em especial, apenas serviram para engrandecer o bom trabalho feito pelo Banzé!: Wayne Kramer (MC5) nas guitarras de “Tragam-me a cabeça de Lester Bangs” e Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, que cederam “Vai pra rua” (sobra do disco Cabeça de dinossauro, dos Titãs).
Para falar dessas mudanças e, claro, do novo disco, conversamos com o vocalista do Banzé!, Thadeu Meneghini. Confira abaixo:
Qual a principal diferença entre Antes da queda e De pernas pro ar?
Thadeu Meneghini – Antes da queda tem uma síntese maior. É mais visceral e decidido. É mais propenso a não fazer concessões. É um disco que afasta o medo da contradição. Também afasta a felicidade como algo obrigatório, que faz com que aceitemos de cara aquilo que nos vem à mão.
Explique a escolha do nome Antes da queda. Como vocês chegaram a esse nome?
Esse nome tem uma ironia embutida que emprestamos dos primeiros discos do Fellini [O adeus do Fellini e o Fellini só vive duas vezes]. Além de outras relações temáticas. A queda dessa plataforma de divulgação da música chamada CD também está nesse título. Tentamos explorar o formato. Dar a ele uma sobrevida.
Como foi o processo de gravação e composição de Antes da queda?
As músicas foram compostas durante a fase de divulgação do primeiro álbum do Banzé!. Eu formei uma parceria com o Dalba [Adalberto Rabelo Filho, compositor do Numismata]. A gente descobriu muitas afinidades e muitos temas em comum que gostaríamos de desenvolver. O Dalba cuidava das letras e eu das músicas. Mas não havia muita regra não. Uma hora ele trazia uma letra e eu musicava, trocava algumas palavras e formava a métrica, em outra a gente fazia o inverso disso. Terminadas as composições, eu as levava nos ensaios da banda e a gente brincava com elas. Entramos no estúdio em abril de 2007, com a produção do Alexandre Fontanetti. Em outubro o disco já estava masterizado.
Vocês estão mais agressivos neste novo disco, de onde veio tanta fúria? Vocês não têm medo de espantar os fãs mais sensíveis?
Isso é você quem está dizendo. Já me viu furioso mesmo? Então pede pra sair 02 [risos]. Acho que o disco tem sensibilidade e compaixão.
Disco com participação de Wayne Kramer do MC5 e com música inédita do Arnaldo Antunes. Como rolaram essas duas contribuições ilustres?
Tudo começou pela admiração que temos por essas figuras, esses artistas. Vale ressaltar que a música inédita não é só do Arnaldo, mas também do Paulo Miklos, e estava na gaveta desde a época do Cabeça dinossauro [disco clássico dos Titãs], aliás era pra ela entrar nesse disco. “Vai pra rua” foi cedida pelo próprio Arnaldo Antunes, extraída de uma gravação caseira de voz e violão. Já a participação do Wayne foi via internet. Enviamos a faixa pra ele, que num primeiro contato ficou muito curioso com o título: “Tragam-me a cabeça de Lester Bangs”. Logo que ouviu Wayne pediu uma tradução da letra em inglês. Feito isso ele nos surpreendeu e enviou com a sua resposta, se participaria ou não da gravação, um canal com a guitarra dele já gravada. Amazing!!!!
Banzé! – "Boca do Lixo" @ Sesc Pompéia
A banda sofreu algumas mudanças na formação desde o lançamento do primeiro disco até agora. Agora vocês são um trio, é a formação que vocês consideram ideal pro Banzé!?
Se alguém quiser entrar a gente PEDE PRA SAIR.
Como rolou a entrada do Loco Sosa pra banda? Essa mudança no som do Banzé! se deu por influência da entrada dele?
O Loco gravou as bateras do primeiro disco também. Eu fiz o convite, ele topou. Ele significou mais estabilidade pra gente. A pegada dele é muito forte e marcante, é lógico que influencia a banda toda. Ele é o melhor músico da banda sem sombra de dúvidas, e um cara legal pra beber e falar de mulheres, carros, iates e dinheiro.
Ano passado o clipe de “Boca do lixo” causou polêmica. Quem teve a idéia do clipe? Podemos esperar mais polêmicas nos próximos vídeos do grupo?
A idéia foi do Paulinho Caruso, o diretor, e juntava bem com a música. O próximo clipe será uma continuação natural, aleatória, não linear de “Boca do lixo – a missão”.
O projeto gráfico do disco é muito bonito. Quem teve a idéia? Por que vocês colocaram as letras do avesso para verem contra o espelho?
A idéia foi da Flávia Nalon da PS2, que desenvolveu a capa e o encarte. As letras do avesso são seus reflexos no espelho. Nenhuma relação com narcisismo ou algo da mesma natureza. Existem nela várias interpretações, cada dia uma pessoa vem com uma nova e a gente se diverte com isso.
Vocês rodaram pouco os festivais independentes pelo Brasil, isso deve às mudanças na formação que a banda sofreu? Pretendem divulgar o novo álbum nesses festivais? Já receberam propostas?
Participamos de alguns festivais: Mada, Ruído, Bananada e Grito Rock. Achamos ótimo que cada vez mais existam festivais com estruturas bacanas pra gente divulgar nosso som, com apoio de grandes corporações ou não. Queremos participar de quantos forem possíveis. Que venham propostas.
Quais os próximos planos da banda?
Tocar, tocar e tocar. Vencermos o Rock & Gol. Visitar um parente distante.
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