
Quando morrer, o paulistano Rogério Castilho, 36, não quer saber de choradeira. Trabalhando como palhaço e mágico há seis anos, ele não achava graça na concorrência de outros animadores de festas.
Há dois anos, teve uma luz: pôs no jornal um anúncio de animador de velório. Sucesso total. Já animou vinte cerimônias em SP, sua conta saiu do vermelho e seu insólito ofício até chamou a atenção da psicanalista Miriam Chnaiderman, que o incluiu entre coveiros e médicos-legistas em seu filme Os Artesãos da Morte.
Rogério costuma ser contratado por um amigo ou parente mais galhofeiro. “Mas já houve doentes terminais que me ligaram perguntando sobre meus serviços”, conta.
No batente da meia-noite às quatro da madruga, a proposta do cômico funéreo não é fazer do velório uma palhaçada, e sim ajudar as pessoas a passar o tempo. “Depois que saem daquele “que coisa, tão novo”, o assunto acaba”, descreve, sério. “É aí que eu entro. As piadas saem naturalmente”.
Cliente morto paga
A morte é igual para todos? O preço da animação, nem sempre. “Se o velório for no Araçá, cobro 200 reais. Já no Getsêmani [cemitério chique no bairro do Morumbi, em SP], é pela hora da morte. Ganho uns três paus por mês, sempre em dinheiro vivo”, revela.
Rogério prevê longa vida para sua empresa: “Como há muitos velórios fora de São Paulo, penso em comprar um ônibus para levar os parentes e os amigos. Nele, haveria enfermeira, salgadinhos, doces e licores. Mas não há nada certo ainda. De certo, só que você e eu vamos morrer”. Hahaha.
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