Mordendo a Apple
Quer conhecer o principal concorrente do iTunes? A Emusic ganha espaço ao não tratar consumidores como 'piratas'
Por Redação
em 23 de maio de 2006
Por Ronaldo Lemos*
Quando o iTunes vende uma música, ela vem fechada em um formato chamado AAC. Esse formato foi desenvolvido pela própria Apple e dentre outras coisas permite ao computador controlar o número de cópias que o usuário pode fazer da canção. Além disso, impede que o arquivo seja tocado em outros tocadores de MP3 que não sejam o iPod, fabricado pela própria Apple.
Em outras palavras, as músicas vendidas pelo iTunes utilizam-se dos malfadados DRMs (Digital Rights Management), sistemas de controle digital de conteúdo que se tornaram “famosos” graças ao escândalo da Sony-BMG, que instalava programas prejudiciais nos computadores dos usuários, sem nem mesmo avisá-los sobre isso.
Pois bem, o EMusic (www.emusic.com) rejeitou isso tudo. Em vez de usar formatos específicos, o site vende música através dos bons e velhos arquivos MP3, sem nenhum tipo de sortilégio eletrônico. Se você baixar música no EMusic, vai poder decidir se quer copiá-la quantas vezes quiser, para CD ou para outro computador, bem como ouvi-la em qualquer player, inclusive no iPod da Apple.
Além disso, a questão de preço também é muito importante. O EMusic é cerca de quatro vezes mais barato que o iTunes.Por trabalhar com um regime de pagamento mensal (que pode ser suspenso a qualquer momento), o usuário paga dez dólares por mês (cerca de 22 reais) e com isso tem direito a baixar 40 músicas. Ou seja, cada música sai por cerca de 55 centavos de real, um preço barato até mesmo para os padrões brasileiros.
Por fim, a questão principal: e o acervo, é abrangente? Passeando pelo site dá para perceber que o acervo é, sim, bastante completo, com mais de 1 milhão de faixas disponíveis. O foco atual do site é na música independente.
Por exemplo, quem gosta de ler a coluna do jornalista Lucio Ribeiro ou acessar o site Pitchfork (www.pitchforkmedia.com), que dentre outras façanhas lançou bandas como o Clap Your Hands Say Yeah, vai encontrar no EMusic praticamente tudo o que se publica lá.
Assim, o site é perfeito para quem gosta de bandas novas. Mas não é só, o site é muito forte em jazz e música clássica e conta também com alguns medalhões.
Com essa política de tratar os consumidores com boa-fé e não como se fossem piratas em potencial, o site conseguiu consolidar sua posição em segundo lugar. Assim, deixou para trás nomes fortes como o serviço Rhapsody da Real ou o novo Napster. Detalhe: esses dois também vendem arquivos que empregam formatos digitais protegidos por DRM. Coincidência?
Agora a melhor coisa do EMusic: diferente do iTunes, que só está disponível para quem mora nos Estados Unidos ou em alguns países da Europa, não é preciso esperar para começar a usar o site. Ele já está disponível para todo o mundo, inclusive para o Brasil. Quem sabe a partir de agora não comece a ficar claro de uma vez por todas que o segredo do sucesso na economia do século 21 é considerar a tecnologia e a sociedade não como inimigos, mas sim como aliados.
*Ronaldo Lemos é diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV (RJ) e um dos fundadores do Overmundo (www.overmundo.com.br)
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