Memórias do Cárcere
Quem se impressionou com Estação Carandiru agora pode conhecer a versão dos próprios presos para a vida no xadrez
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Minha vida na delinqüência se iniciou cedo. Aos 11 anos vagava pelas ruas de SP vendendo flores. Em seguida, partia para pequenos roubos e o uso de maconha. As entradas e saídas no Juizado de Menores pela prática de furtos e por vadiagem começaram em 1966. Depois foram os assaltos à mão armada. Assim começa o relato de Luiz Antonio Ramos – morador número 080.908 da Casa de Detenção de São Paulo. Quem se impressionou com o relato cortante de Drauzio Varella em Estação Carandiru agora pode conhecer a versão dos próprios presos para a vida no xadrez através das 15 histórias reunidas no singular Letras da Liberdade. O tema recorrente é o massacre de 1992, em que pelo menos 111 presos foram chacinados, mas há espaço para assuntos mais amenos – rebeliões, torturas, trairagem. Embora não se possa dizer que daqui sairá algum Dostoiévski (autor de Recordações da Casa dos Mortos, em que rememora sua cana na Sibéria), surpreende na maioria dos contos a sensibilidade na descrição de um ambiente tão casca-grossa. O livro traz ainda ilustrações [como à esq.] e comentários de Lobão, João Batista Gelpi, Ziraldo, Ruy Castro e outros.Letras da Liberdade, vários autoresEditora Madras (www.madras.com.br), 150 páginas, R$ 15
Ronaldo Bressane
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