Jazz do fim do mundo

por Xico Sá

Nação Zumbi espalha brasa e groove por todo o país

Nação Zumbi - Rádio S.Amb.A (YBrazil?Music)

E atenção para esta notícia: a estampa de Chico Science já supera a de Bob Marley no número de camisetas de jovens na periferia do grande Recife.

Enquanto isso, a sua Nação Zumbi espalha brasa e groove por todo o país. Rádio S.amb.a, o disco, é um atestado de resistência rubricado por tambores guerreiros e o eco de todas as tripas famintas.

Soul na cabeça que não precisa de rodilha, como alardeia o repente que Zumbi divide com África Zulu Bambaataa - um presente do arquivo de zoadas de Rodrigo P. Funk, que proporcionou o dialogo das nações.

Há uns dois anos vi um ensaio dos meninos, num casarão na margem esquerda do Capibaribe, e uma voz não me largou mais enquanto caminhava pelas ruas sombrias dos arredores: Isso é o jazz do fim do mundo.

Não tinha a menor idéia do que aquele misterioso sopro no ouvido queria dizer de fato. Até o dia em que o Rádio S.amb.a chegou no portão da minha casa.

É o jazz do fim do mundo, do fim da Feira das Virtudes, da baciada das almas, do carimbó reflexivo que receita a dança na contramão da morte e do calendário.

É o tipo do disco que faz você mudar de faixa de cabeceira a cada dia, num rodízio para mexer a pança. Não se consegue, por exemplo, largar a jangada voadora que Jorge Du Peixe divide com a rainha Lia de Itamaracá ( faixa João Galafuz).

Del chifre, a música 14, nem se comenta, é passeio com roupa nova, é beijo andando, festa de rua, um parque de diversão na cabeça.

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