Ipanema são muitas. Principalmente as subjetivas.
Praia de Ipanema, de Théo-Filho, é uma novela de 1926 hiper-hidratada, com a praia e o bairro como cenário. Fosse exposta ao sol de meio-dia durante todo o verão, ainda assim sobrariam páginas de névoa verbal.
Ainda bem que João Miramar e Serafim Ponte Grande deram um fim a tal blábláblá. Narrativa urbana é sintaxe.
Ali na sincopada terra de Tom, Théo não se criaria. Mas Jaguar sim.
O autor de Ipanema fez do bairro sala, quarto e escritório. No período entre 1950 e 1970, as pessoas ainda se conheciam pelo nome, e o bairro era uma turma só.
Em Ipanema se acredita no paraíso porque se está diante dele. Até hoje é assim. A idéia era comemorar cada dia, tomando todas e fazendo merda. Só que a merda daquele povo chamava-se Garota de Ipanema, Luíza, Águas de Março, O Pasquim…
Foi a merda mais fértil do planeta. Hoje a merda dá à praia, literalmente. E o rio corre do mar.
Praia de Ipanema: Théo-Filho, editora Dantes
Ipanema, de Jaguar, editora Relume Dumará
[Chacal, poeta, é autor de Posto 9]
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