Ilustre e desconhecido
Coadjuvante no Foo Fighters, o guitarrista Chris Shiflett vem ao Brasil com a Jackson United
Por Redação
em 22 de junho de 2006
Por Glauce Lucas
Você pode até não conhecer Me First and Gimme Gimme’s, Lagwagon ou No Use For a Name, mas com certeza já ouviu falar (e tocar) muito do Foo Fighters. O que une essas três bandas ao supergrupo liderado por Dave Grohl tem nome e sobrenome.
O desconhecido Chris Shiflett é um cara precoce. Desde os 14 anos engrossa uma folha corrida de serviços cumpridos no punk rock californiano. O No Use For a Name, que talvez seja o maior grupo desse estilo (um dos maiores, como queiram), contou com suas palhetadas. No Me First and Gimme Gimme’s, brincou de fazer covers (procure músicas gravadas por eles na Internet, vai de Beach Boys a Stevie Wonder e vale a pena!). Veio ao Brasil como convidado do Lagwagon, é amigo de Fat Mike, do NOFX, já dividiu o palco com músicos do Breeders, do Perfect Circle e do Face to Face. E sem falar no Foo Fighters…
Em busca de um público para chamar de seu, começou a compor as canções que formariam o Jackson United em 2002. No ano passado, lançou o álbum de estréia, Western Ballads, pelo selo australiano Shiny Records (no Brasil, pela Highlight Sounds). Às vésperas de uma série de shows no país, Shiflett conversou com a Trip. Explicou o que o faz trocar hotéis luxuosos, baldes de dinheiro e posições na Billboard, como escudeiro de um dos maiores conjuntos do rock mundial, por um pouco de protagonismo suado nos escaninhos do underground.
Por que o Jackson United? Existia alguma lacuna que as outras bandas não preenchiam? Eu queria começar uma banda para cantar e tocar as minhas próprias músicas havia um bom tempo. Quando o Foo Fighters teve uma pausa no início de 2002 eu finalmente tirei a minha bunda da cadeira. Comecei a fazer as coisas acontecerem. Sempre estive em bandas em que toquei músicas de outras pessoas. Eu simplesmente precisava de uma coisa minha.
Com toda a responsabilidade e tempo que o Foo Fighters demanda, como você consegue ter ainda um novo projeto musical? Atualmente tem acontecido de termos bastante tempo livre com as coisas do Foo Fighters. A gente realmente não tem saído tanto em turnê. Não tenho tido problemas para conciliar tudo, e isso é bom!

Qual a principal diferença entre participar de grupos populares no cenário hardcore/punk independente e do Foo Fighters, uma das bandas mais conhecidas do mundo? Existem algumas diferenças óbvias, né [risos]. Dinheiro, acomodações luxuosas… Mas, quando você vê o que realmente importa, ainda são apenas quatro caras em uma sala, fazendo música. A maior diferença entre o mundo punk independente e estar ligado a um selo grande talvez seja a relação de proximidade com as gravadoras. O fato de o Fat Mike [baixista e fundador da banda de punk rock NOFX, dono da Fat Wreck Chords] ser meu amigo e ter uma gravadora que lançou os álbuns do Me First and the Gimme Gimme’s tornou as coisas mais acessíveis. Foi, e ainda é, muito fácil pedir as coisas e conseguir a atenção dele.
Como você define o som do Jackson e quais as principais influências? Eu acho que nós somos uma banda que toca um rock bastante pop. Mas é difícil para mim descrevê-la. Posso dizer que nossa próxima gravação terá um som bem diferente dessa última. Será algo mais forte e mais rápido. Levando-se em conta o mais longe que as influências podem ir, eu amo tudo desde Jawbreaker a The Clash, de The Pogues a AC/DC.
No Jackson United você canta. Como surgiu a idéia de assumir esse posto? Bom, eu ainda toco guitarra no Jackson United. E sempre pensarei em mim como um guitarrista em primeiro lugar. Mas eu amo tentar cantar. É muito bom tentar coisas em que você mais ou menos se acha um bosta [risos].
Não é a sua primeira vez no Brasil. O que achou do país nas visitas anteriores? Não posso dizer que sou um bom conhecedor da realidade sociopolítica brasileira. Mas sei que o seu país está tentando sair da dependência da geração de energia baseada no petróleo. E houve muita repercussão nos Estados Unidos a respeito desses problemas recentes… A crise penitenciária e a onda de violência nas últimas semanas. Eu espero que esteja tudo resolvido. A cobertura da mídia norte-americana tende a ser realmente bem exagerada com assuntos como esses. Fica difícil saber o que foi mesmo verdade de tudo que chegou até nós [sobre os ataques do PCC em São Paulo]. Eu já vi muita pobreza nas minhas idas ao Brasil. Essa pobreza convive lado a lado com uma quantidade reduzida de gente muito rica. Há uma tensão. Então, estando por aí, é melhor manter um olho sempre aberto.
Por último, quais as expectativas para a primeira turnê brasileira? Nós estamos muito animados. Realmente não me importo com o que vai acontecer. Espero que os shows sejam bons, claro, mas nós vamos nos divertir de qualquer jeito. Eu amo ir para o Brasil. Vamos tocar algumas músicas, surfar e comer muito, muito churrasco!
Vai lá:
22/6 (quinta-feira) – Florianópolis (SC)
Pousada Hi Adventure (r. Sotero Farias, 610 – Rio Tavares). A partir das 18h. Informações no 48 8414 0757
23/6 (sexta-feira) – Curitiba (PR)
Callas Malagueta (r. Piquiri, 275, Rebouças). A partir das 21h. Ingressos antecipados: R$ 15. Informações: (41) 3333-3028 e 9964-3137
24/6 (sábado) – Osasco (SP)
Rhapsody (av. Maria Campos, 660, a 100 metros da estação de trem). A partir das 19h.
Ingressos: R$ 20 (200 primeiros)/R$ 30 (até dia 23)/R$ 50 (na porta). Informações: (11) 3766-7738; (11) 3685-1948 e (11) 3361-8961
25/6 (domingo) – Limeira (SP)
Mirage (r. Professor Joaquim De Michelli 755). Ingressos: R$ 20. Informações: (19) 8112-0992
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