Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Homem também sofre. E não é só no dia do exame de próstata. Nós e nossos antecipados, cavamos a própria armadilha, construindo à força, um sistema burro, que coloca a mulher numa posição supostamente secundária. Agora, os homens estão cada vez mais sem ter para onde correr, vítimas da própria arapuca.
Se deixam a sensibilidade aflorar, têm medo de ser taxados de viados, ou de ser desprezados pelas mulheres, que, decididamente, tendem a dispensar os tipos que elas mesmas classificam desdenhando como ‘bonzinhos’. Se deixam o lado ‘macho’ tomar conta, são catalogados imediatamente como burros, toscos, insensíveis, ou, na melhor das possibilidades, como representantes do ‘reject’ da raça. Um tipo descartável, objeto com defeito que deve ser espremido logo, e deletado sem emoção.
Onde estaria o caminho do meio, como gostam os budistas?
Sapatênis
O problema é mais sério do que parece. Uma simples volta pelas ruas, uma prosaica ida ao shopping, denuncia a gravidade. Por mais que a moda brasileira tenha avançado, a evolução dos tempos parece ter passado longe de 95% das lojas de roupas masculinas, incluídos aí os varejistas de calçados, acessórios e, pasmem, de artigos esportivos.
Um sujeito entre os trinta e poucos e os cinqüenta anos, por exemplo, tem hoje, pouquíssimas opções para exprimir seu modo de vida através dos panos.
Quem andar por um shopping, e estamos falando dos melhorzinhos, se descobrirá encalacrado entre dois mundos detestáveis em igual medida: O dos zeros à esquerda e o dos Rai-mundinhos, nome que resolvi dar às equivocadas e quase sempre risíveis vítimas do bendito ‘mundinho fashion’.
No primeiro universo, o dos zeros à esquerda, habitam profusões de camisas xadrezinhas, com colarinho abotoado e mangas compridas, de cores mornas, para serem usadas para dentro de calças sem graça, de cores falecidas, com cintos ainda mais sem graça e mocassins de franjinha, quase sempre acompanhados de meia branca. O toque chique, ou o máximo de produção oferecida a esse grupo de infelizes, é uma malha de tricô para ser ‘jogada nas costas’, ou um abominável ‘sapatênis’, invenção equivocada, em geral encontrada em tons de caramelo, como sinalizam os manequins nas vitrines, tão cheios de vida, quanto ficarão os pobres clientes desse tipo de moda. Parecem todos, os de massa, inertes na vitrine e seus pares de carne, admirando do lado de fora dos vidros, condenados a empregos maçantes, e intermináveis happy hours à base de chopp ou incursões continuadas às ‘massagens tailandesas’, em busca de alguma graça para suas vidas, não contando com nenhum tipo de ajuda da indústria da moda, para reverter esse horrível quadro.
Mortos vivos
Do outro lado, Rai-mundinhos, se fantasiam com camisetas de mangas compridas em baixo de outras, com mangas curtas e estampas da linha ‘eu curto design e HQ’, em cores contrastantes, calças de nylon ou outro tecido ‘moderno’ colorido e brilhante, na altura da canela e cheias de bolsos ‘criativos’, que ajudam a transformar esses pobres diabos, em geral oriundos de cidades menores, e deslumbrados com a ‘cosmopolita’ São Paulo, em caricaturas anacrônicas e mal acabadas de VJs da MTV, em especial, do melhor estilo Max fivelinha.
Pouquíssimas marcas estão atentando para o fato de que há um exército de milhões de homens, que não querem se vestir como mortos vivos de catálogos de magazines, ou daquelas fotos de bancos de imagens, quando se solicita o tema ‘casual friday’.
Por outro lado, não querem se fantasiar de skatistas adolescentes das tirinhas do Angeli, ou ser confundidos com clubbers desnorteados e fora de hora, em busca de um ‘chill out’ na Av. Berrini. Não tem culpa de não serem homossexuais, e de que o fato de não terem menos de vinte anos não lhes priva de uma vida divertida e excitante o suficiente, para não terem de se vestir como Marco Maciel.
Talvez, como quase sempre acontece, uma mulher venha nos salvar.
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